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Formação Ministerial
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Discernimento Vocacional
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Residência Missionária
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Teologia Vocacional

Ser um Obrero Aprovado

“Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.”

2 Timóteo 2:15

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VOCÊ SABIA?

Os recursos que você investe em sua formação teologia e ministerial na Academia de Liderança da NAMS é integralmente revertido para a obra missionária no Brasil e na Ásia. Atualmente temos um posto avançado de plantadores de Igrejas no Brasil e apoiamos a formação de cerca de 200 obreiros em países da Ásia em regiões de maioria muçulmana. Você é parte dessa missão!

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REVISTA BÁCULO

Com mais de 5 anos de existência, a Revista Báculo já é um marco importante da mídia evangélica no Brasil. Todos os meses, nossa revista proporciona ao leitor artigos, estudos, entrevistas e análises relevantes para a vida cristã e para o ministério. Aqui no site você tem acesso a todas as edições já publicadas.

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FORMAÇÃO MINISTERIAL

Ao estudar com a gente você apoia a obra missionária no Brasil e na Ásia e conta com um conteúdo de primeira qualidade! E você pode escolher quais módulos se encaixam melhor em sua formação teológica e ministerial. Além disso, ao completar os créditos educativos necessários você adquire o Diploma de Bacharel em Teologia chancelado pela New Anglican Missionary Society (NAMS)

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DISCERNIMENTO VOCACIONAL

Nós ajudamos você a descobrir o chamado de Deus para a sua vida. E mais do que isso, te ajudamos a discernir como o chamado de Deus para o seu Ministério pessoal se conecta com o contextual atual da Igreja no mundo. Mais do que nunca, precisamos de pessoas comprometidas com o Evangelho denuíno no Brasil e no mundo. Seja parte da mudança.

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RESIDÊNCIA MISSIONÁRIA

Nossa escola é chancelada pela New Anglican Missionary Society(NAMS), sediada na Carolina do Sul (EUA). Apoiamos a NAMS em suas iniciatias missionárias ao redor do mundo, como é o caso da Residência Missionária, um projeto ousado que possibilita estar a serviço da Igreja de Cristo em diversos locais do mundo.

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TEOLOGIA VOCACIONAL

A Vocação Cristã não se limita aos dons ministeriais ou ao Ministério Ordenado. Na verdade, uma das grandes contribuições de Lutero para a teologia cristã foi uma visão bíblica da vocação, na qual cada pessoa, cada profissão e cada ato da Igreja no mundo é parte da missão do Deus Trinitariano na História. Esse curso irá transformar sua visão da vida e da vocação cristãs.

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quarta-feira

Quando conheci Jesus? Uma crônica sobre Deus que é Amor




Marcelo Lemos* 

Quando você conheceu Jesus? Essa pergunta me foi feita recentemente em um grupo do qual faço parte. Se compreendo a pergunta corretamente, o verbo conhecer aqui implica a fé salvífica. Então, não deixa de ser uma pergunta estranha de se fazer à alguém que nasceu em um lar cristão. Vou tentar respondê-la contando um pouco da minha jornada na fé. Por ter sido criado em uma família evangélica extremamente legalista, cresci com sentimentos de medo, frustração, culpa, e uma compreensão bem limitada sobre o real significado da Graça de Deus. Minha família e amigos acreditavam, por exemplo, que mesmo tendo ido à Igreja todos os dias, de Segunda a Domingo, por anos a fio, se não levantasse as mão na hora do Apelo, não teria o nome escrito no livro da vida. Achava essa ideia sem sentido, mas um dia tomei coragem, levantei as mãos, fiz a famosa oração do pecador e ganhei uma Bíblia de presente. Estava oficialmente salvo. E com uma Bíblia a mais na biblioteca.

Legalismo sem graça.


Conheci Jesus ao responder àquele apelo? Prefiro acreditar que não. Porque, na verdade, eu sempre acreditei em Jesus. Nasci em um lar católico romano, e fui batizado na Paróquia São Geraldo Magela, por Padre Léo. Com a conversão de meus pais ao evangelicalismo, acabei não fazendo a catequese da paróquia, mas fiz todas as escolas dominicais disponíveis na Igreja dos meus pais (pelo menos até que fossem proibidas pelas lideranças). Assim, eu sempre soube que Jesus era o único Caminho, Verdade e Vida. Outra razão para não acreditar naquela 'conversão' é que, com o tempo, descobri que tanto o Apelo quanto a Oração do Pecador são ritos sacramentais recém-criados na história da Igreja e popularizados por Charles Finney1. Assim, se milhões de cristãos foram salvos nos últimos dois mil anos sem esses dois rituais evangélicos, por que a regra do jogo teria que mudar justamente na minha vez? Não posso ser tão azarado.

A verdade que é não me atrevo a responder a pergunta. Contento-me na certeza de que Deus, primeiro, me conheceu com amor eletivo2. Usarei a pergunta, no entanto, para contar sobre como compreendi a Graça de Deus, e como ela impactou minha vida. Talvez o leitor não consiga mensurar o peso de uma religiosidade legalista, especialmente se não viveu a mesma experiência3. O que eu entendia sobre ser cristão tinha a ver com um catálogo4 muito extenso de proibições, algumas até engraçadas5. Por exemplo, a gente não podia usar jeans, roupas muito coloridas, nem óculos escuros. Eu sempre gostei de dormir com o mínimo de roupa possível, mas se Jesus voltasse a noite, diziam que eu ficaria para trás. Uma vez apanhei por fazer piada sobre Jesus voltando enquanto os crentes tomavam banho. Acho que fiz algum gracejo sobre Jesus deixando para trás algumas irmãs pelancudas pegas desprevenidas no banho... Não tinha graça, pra ser sincero.  Qualquer deslize podia te mandar para a geladeira por meses ou anos, o que significava ser cortado das atividades da Igreja. No jargão da época a gente dizia “ser colocado de banco”. Se o leitor suspeitar que quem mais sofria com tanto legalismo eram as mulheres estará coberto de razão.

Deus que é Amor


Mas tive o privilégio de encontrar aquela mensagem de Graça que incendiou o mundo nos dias da Reforma. Aconteceu meio por 'acaso', e se deu num momento bem deliciado da minha adolescência. Aos 16 anos já tomava minha dose diária de sertralina. Bem cedo compreendi a imagem sugerida pela noite escura da alma. Se algum pastor, pai ou mãe legalista estiver lendo essas linhas imploro que compreenda o seguinte: o legalismo mata.  Um legalista é um assassino, da Graça de Deus, de famílias, de pessoas e de reputações. O leitor não precisa acreditar no que digo, pode fazer melhor que isso lendo o primeiro capítulo da obra “É Proibido”, de Ricardo Gondim6. “A letra mata”, é o discurso dos mentirosos, e dos que tem medo de assumir seu próprio analfabetismo teológico. Por sorte eu sempre fui meio 'desviado', e como não podia assistir televisão, mergulhava no mundo da literatura. E foi fuçando um caixa de livros que alguém jogara fora que encontrei o livro “O Despertar da Graça”, de Charles Swindoll7. Ler aquelas páginas destruiu todo o legalismo que havia em mim, e me conduziu humilhado, mas confiante, aos pés da Cruz de Jesus.

Quando compreendi a mensagem da Graça, senti escamas caírem dos meus olhos. E não há nada melhor que o sabor da liberdade. Finalmente estava livre de todo jugo, de todo mandamento humano. Se tenho algum dever, alguma obrigação, alguma meta moral, apenas as Escrituras podem me dizer. Temos na Igreja Anglicana Reformada um documento histórico, redigido nos dias Reforma. Os 39 Artigos de Religião dizem que ninguém pode exigir nada dos fiéis a menos que a Bíblia assim ordene como mandamento de Deus. Por causa dessa mensagem libertadora, minha jornada teológica e espiritual tomou rumos que eu jamais teria imaginado. Claro, cometi erros e enfrentei oposições pelo caminho. “Sua graça me basta”. É por causa dessa mensagem que, ainda hoje, me sinto no dever de repelir todo assassino da Graça, mesmo aqueles que encontro entre meus irmãos herdeiros da Reforma. Sim, pois para minha decepção, acabei descobrindo que muito reformado é tão legalista quanto os pentecostais da minha infância e adolescência foram. Ah, os assassinos da Graça! Eles estão por todo lado! Às vezes, dentro de cada um de nós.

A Graça me fez compreender também que a natureza humana é tão corrompida pelo pecado, tão orgulhosa e cheia de auto justificação, que sempre pensará que pode merecer algo de Deus. Não é maravilhoso saber que Cristo já fez tudo por nós, e que a salvação não depende de obras ou de qualquer coisa que possamos fazer? É! Porém, nosso pecado, nosso orgulho, nossa autoconfiança, sempre tentarão nos convencer a encontra algo de bom em nós mesmos. O veneno do Éden nos cegou, a língua da serpente nos seduziu a pensar que precisamos merecer o céu.  Não sei exatamente quando conheci Jesus, mas sei quando descobri que o  legalismo é uma doença, e que a Graça é a cura.  Porque o legalismo conduz aos juízes do Sinédrio, mas a Graça nos conduz ao Crucificado, de quem jorrou vida em abundância.

* Marcelo Lemos, presbítero na Free Church of England, editor do Olhar Anglicano, e da Revista Báculo. 
______________

Notas Bibliográficas

1 Mas a técnica não foi inventada por Finney. Seus primeiros registros na História datam do Século XVIII entre as Igrejas Metodistas Episcopais. Tradicionalmente, a arquitetura das Igrejas anglicanas – de onde surge o movimento metodista – chama a área à frente da mesa de comunhão de altar, e ocasionalmente, alguns pregadores metodistas convidavam os pecadores tocados pela pregação à irem àquele local. Mais tarde, o altar deu lugar ao ‘banco dos ansiosos’, onde aqueles que desejavam aprender mais sobre fé e arrependimento se sentavam, enquanto o restante da congregação seguia em oração. A técnica foi adotada pela maioria dos evangelísticas itinerantes, como Finney, e transformou-se num sacramento evangélico. Veja mais em “O Convite ao Altar e a Chamada Eficaz”, de Sam Hamstra Jr., Monergismo.

2 “Não me escolhestes vós a Mim, mas Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” (S. João 15:16).

3 Apesar do pesado fardo que impõe, é muito difícil a pessoa tomar a decisão de abandonar o legalismo. André Santos, pastor, afirma que “Uma das coisas mais difíceis que existem na caminhada cristã, e tenho descoberto no decorrer dos anos, é deixar de ser legalista. Não é do dia para a noite que uma pessoa deixa para trás antigas formas de pensar e agir que lhes foram inculcadas durante anos” (O Legalismo e seus desdobramentos, Ultimato, acesso em 20/05/2018).

4 Recentemente tivemos acesso ao novo “RI”, regulamento interno, da Deus é Amor, e, para nossa surpresa, concessões começam a ser feitas. Por exemplo, na página 32 já não se proíbe o uso de pandeiro e bateria, desde que “se consulte a Sede Mundial para orientações”. Também já não se pune quem usa métodos anticoncepcionais, apenas é dito que “a Igreja aconselha os casais... que procurem os métodos naturais”, e enquanto antes se podia excluir uma irmã que cortasse o cabelo, a proibição agora vem em forma de orientação (pg. 39). Assistir televisão ainda é prescrito como pecado punível pelos pastores (pg. 40).

5 Apesar de uma maior permissividade quanto ao tamanho do cabelo, a denominação segue proibindo tratamentos capilares, e também o uso de perucas. Mas, se “houver perda total do cabelo”, a infeliz irmã é aconselhada a procurar a diretoria “que analisará o caso” (pg. 42).

6 GONDIM. Ricardo: “É Proibido. O que a Bíblia Permite e a Igreja Proíbe”. Mundo Cristão, São Paulo, 1998.

7 SWINDOLL. Charles R.: “O Despertar da Graça”. Editora Bom Pastor, São Paulo, 1004. Atualmente há uma edição da Mundo Cristão, de 2009.

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A Vocação Cristã não se limita aos dons ministeriais ou ao Ministério Ordenado. Na verdade, uma das grandes contribuições de Lutero para a teologia cristã foi uma visão bíblica da vocação, na qual cada pessoa, cada profissão e cada ato da Igreja no mundo é parte da missão do Deus Trinitariano na História. Esse curso irá transformar sua visão da vida e da vocação cristãs.

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Quando você conheceu Jesus? Essa pergunta me foi feita recentemente em um grupo do qual faço parte. Se compreendo a pergunta corretamente, o verbo conhecer aqui implica a fé salvífica. Então, não deixa de ser uma pergunta estranha de se fazer à alguém que nasceu em um lar cristão. Vou tentar respondê-la contando um pouco da minha jornada na fé. Por ter sido criado em uma família evangélica extremamente legalista, cresci com sentimentos de medo, frustração, culpa, e uma compreensão bem limitada sobre o real significado da Graça de Deus. Minha família e amigos acreditavam, por exemplo, que mesmo tendo ido à Igreja todos os dias, de Segunda a Domingo, por anos a fio, se não levantasse as mão na hora do Apelo, não teria o nome escrito no livro da vida. Achava essa ideia sem sentido, mas um dia tomei coragem, levantei as mãos, fiz a famosa oração do pecador e ganhei uma Bíblia de presente. Estava oficialmente salvo. E com uma Bíblia a mais na biblioteca.

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Conheci Jesus ao responder àquele apelo? Prefiro acreditar que não. Porque, na verdade, eu sempre acreditei em Jesus. Nasci em um lar católico romano, e fui batizado na Paróquia São Geraldo Magela, por Padre Léo. Com a conversão de meus pais ao evangelicalismo, acabei não fazendo a catequese da paróquia, mas fiz todas as escolas dominicais disponíveis na Igreja dos meus pais (pelo menos até que fossem proibidas pelas lideranças). Assim, eu sempre soube que Jesus era o único Caminho, Verdade e Vida. Outra razão para não acreditar naquela 'conversão' é que, com o tempo, descobri que tanto o Apelo quanto a Oração do Pecador são ritos sacramentais recém-criados na história da Igreja e popularizados por Charles Finney1. Assim, se milhões de cristãos foram salvos nos últimos dois mil anos sem esses dois rituais evangélicos, por que a regra do jogo teria que mudar justamente na minha vez? Não posso ser tão azarado.

A verdade que é não me atrevo a responder a pergunta. Contento-me na certeza de que Deus, primeiro, me conheceu com amor eletivo2. Usarei a pergunta, no entanto, para contar sobre como compreendi a Graça de Deus, e como ela impactou minha vida. Talvez o leitor não consiga mensurar o peso de uma religiosidade legalista, especialmente se não viveu a mesma experiência3. O que eu entendia sobre ser cristão tinha a ver com um catálogo4 muito extenso de proibições, algumas até engraçadas5. Por exemplo, a gente não podia usar jeans, roupas muito coloridas, nem óculos escuros. Eu sempre gostei de dormir com o mínimo de roupa possível, mas se Jesus voltasse a noite, diziam que eu ficaria para trás. Uma vez apanhei por fazer piada sobre Jesus voltando enquanto os crentes tomavam banho. Acho que fiz algum gracejo sobre Jesus deixando para trás algumas irmãs pelancudas pegas desprevenidas no banho... Não tinha graça, pra ser sincero.  Qualquer deslize podia te mandar para a geladeira por meses ou anos, o que significava ser cortado das atividades da Igreja. No jargão da época a gente dizia “ser colocado de banco”. Se o leitor suspeitar que quem mais sofria com tanto legalismo eram as mulheres estará coberto de razão.

Deus que é Amor


Mas tive o privilégio de encontrar aquela mensagem de Graça que incendiou o mundo nos dias da Reforma. Aconteceu meio por 'acaso', e se deu num momento bem deliciado da minha adolescência. Aos 16 anos já tomava minha dose diária de sertralina. Bem cedo compreendi a imagem sugerida pela noite escura da alma. Se algum pastor, pai ou mãe legalista estiver lendo essas linhas imploro que compreenda o seguinte: o legalismo mata.  Um legalista é um assassino, da Graça de Deus, de famílias, de pessoas e de reputações. O leitor não precisa acreditar no que digo, pode fazer melhor que isso lendo o primeiro capítulo da obra “É Proibido”, de Ricardo Gondim6. “A letra mata”, é o discurso dos mentirosos, e dos que tem medo de assumir seu próprio analfabetismo teológico. Por sorte eu sempre fui meio 'desviado', e como não podia assistir televisão, mergulhava no mundo da literatura. E foi fuçando um caixa de livros que alguém jogara fora que encontrei o livro “O Despertar da Graça”, de Charles Swindoll7. Ler aquelas páginas destruiu todo o legalismo que havia em mim, e me conduziu humilhado, mas confiante, aos pés da Cruz de Jesus.

Quando compreendi a mensagem da Graça, senti escamas caírem dos meus olhos. E não há nada melhor que o sabor da liberdade. Finalmente estava livre de todo jugo, de todo mandamento humano. Se tenho algum dever, alguma obrigação, alguma meta moral, apenas as Escrituras podem me dizer. Temos na Igreja Anglicana Reformada um documento histórico, redigido nos dias Reforma. Os 39 Artigos de Religião dizem que ninguém pode exigir nada dos fiéis a menos que a Bíblia assim ordene como mandamento de Deus. Por causa dessa mensagem libertadora, minha jornada teológica e espiritual tomou rumos que eu jamais teria imaginado. Claro, cometi erros e enfrentei oposições pelo caminho. “Sua graça me basta”. É por causa dessa mensagem que, ainda hoje, me sinto no dever de repelir todo assassino da Graça, mesmo aqueles que encontro entre meus irmãos herdeiros da Reforma. Sim, pois para minha decepção, acabei descobrindo que muito reformado é tão legalista quanto os pentecostais da minha infância e adolescência foram. Ah, os assassinos da Graça! Eles estão por todo lado! Às vezes, dentro de cada um de nós.

A Graça me fez compreender também que a natureza humana é tão corrompida pelo pecado, tão orgulhosa e cheia de auto justificação, que sempre pensará que pode merecer algo de Deus. Não é maravilhoso saber que Cristo já fez tudo por nós, e que a salvação não depende de obras ou de qualquer coisa que possamos fazer? É! Porém, nosso pecado, nosso orgulho, nossa autoconfiança, sempre tentarão nos convencer a encontra algo de bom em nós mesmos. O veneno do Éden nos cegou, a língua da serpente nos seduziu a pensar que precisamos merecer o céu.  Não sei exatamente quando conheci Jesus, mas sei quando descobri que o  legalismo é uma doença, e que a Graça é a cura.  Porque o legalismo conduz aos juízes do Sinédrio, mas a Graça nos conduz ao Crucificado, de quem jorrou vida em abundância.

* Marcelo Lemos, presbítero na Free Church of England, editor do Olhar Anglicano, e da Revista Báculo. 
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Notas Bibliográficas

1 Mas a técnica não foi inventada por Finney. Seus primeiros registros na História datam do Século XVIII entre as Igrejas Metodistas Episcopais. Tradicionalmente, a arquitetura das Igrejas anglicanas – de onde surge o movimento metodista – chama a área à frente da mesa de comunhão de altar, e ocasionalmente, alguns pregadores metodistas convidavam os pecadores tocados pela pregação à irem àquele local. Mais tarde, o altar deu lugar ao ‘banco dos ansiosos’, onde aqueles que desejavam aprender mais sobre fé e arrependimento se sentavam, enquanto o restante da congregação seguia em oração. A técnica foi adotada pela maioria dos evangelísticas itinerantes, como Finney, e transformou-se num sacramento evangélico. Veja mais em “O Convite ao Altar e a Chamada Eficaz”, de Sam Hamstra Jr., Monergismo.

2 “Não me escolhestes vós a Mim, mas Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” (S. João 15:16).

3 Apesar do pesado fardo que impõe, é muito difícil a pessoa tomar a decisão de abandonar o legalismo. André Santos, pastor, afirma que “Uma das coisas mais difíceis que existem na caminhada cristã, e tenho descoberto no decorrer dos anos, é deixar de ser legalista. Não é do dia para a noite que uma pessoa deixa para trás antigas formas de pensar e agir que lhes foram inculcadas durante anos” (O Legalismo e seus desdobramentos, Ultimato, acesso em 20/05/2018).

4 Recentemente tivemos acesso ao novo “RI”, regulamento interno, da Deus é Amor, e, para nossa surpresa, concessões começam a ser feitas. Por exemplo, na página 32 já não se proíbe o uso de pandeiro e bateria, desde que “se consulte a Sede Mundial para orientações”. Também já não se pune quem usa métodos anticoncepcionais, apenas é dito que “a Igreja aconselha os casais... que procurem os métodos naturais”, e enquanto antes se podia excluir uma irmã que cortasse o cabelo, a proibição agora vem em forma de orientação (pg. 39). Assistir televisão ainda é prescrito como pecado punível pelos pastores (pg. 40).

5 Apesar de uma maior permissividade quanto ao tamanho do cabelo, a denominação segue proibindo tratamentos capilares, e também o uso de perucas. Mas, se “houver perda total do cabelo”, a infeliz irmã é aconselhada a procurar a diretoria “que analisará o caso” (pg. 42).

6 GONDIM. Ricardo: “É Proibido. O que a Bíblia Permite e a Igreja Proíbe”. Mundo Cristão, São Paulo, 1998.

7 SWINDOLL. Charles R.: “O Despertar da Graça”. Editora Bom Pastor, São Paulo, 1004. Atualmente há uma edição da Mundo Cristão, de 2009.

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Quando você conheceu Jesus? Essa pergunta me foi feita recentemente em um grupo do qual faço parte. Se compreendo a pergunta corretamente, o verbo conhecer aqui implica a fé salvífica. Então, não deixa de ser uma pergunta estranha de se fazer à alguém que nasceu em um lar cristão. Vou tentar respondê-la contando um pouco da minha jornada na fé. Por ter sido criado em uma família evangélica extremamente legalista, cresci com sentimentos de medo, frustração, culpa, e uma compreensão bem limitada sobre o real significado da Graça de Deus. Minha família e amigos acreditavam, por exemplo, que mesmo tendo ido à Igreja todos os dias, de Segunda a Domingo, por anos a fio, se não levantasse as mão na hora do Apelo, não teria o nome escrito no livro da vida. Achava essa ideia sem sentido, mas um dia tomei coragem, levantei as mãos, fiz a famosa oração do pecador e ganhei uma Bíblia de presente. Estava oficialmente salvo. E com uma Bíblia a mais na biblioteca.

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Conheci Jesus ao responder àquele apelo? Prefiro acreditar que não. Porque, na verdade, eu sempre acreditei em Jesus. Nasci em um lar católico romano, e fui batizado na Paróquia São Geraldo Magela, por Padre Léo. Com a conversão de meus pais ao evangelicalismo, acabei não fazendo a catequese da paróquia, mas fiz todas as escolas dominicais disponíveis na Igreja dos meus pais (pelo menos até que fossem proibidas pelas lideranças). Assim, eu sempre soube que Jesus era o único Caminho, Verdade e Vida. Outra razão para não acreditar naquela 'conversão' é que, com o tempo, descobri que tanto o Apelo quanto a Oração do Pecador são ritos sacramentais recém-criados na história da Igreja e popularizados por Charles Finney1. Assim, se milhões de cristãos foram salvos nos últimos dois mil anos sem esses dois rituais evangélicos, por que a regra do jogo teria que mudar justamente na minha vez? Não posso ser tão azarado.

A verdade que é não me atrevo a responder a pergunta. Contento-me na certeza de que Deus, primeiro, me conheceu com amor eletivo2. Usarei a pergunta, no entanto, para contar sobre como compreendi a Graça de Deus, e como ela impactou minha vida. Talvez o leitor não consiga mensurar o peso de uma religiosidade legalista, especialmente se não viveu a mesma experiência3. O que eu entendia sobre ser cristão tinha a ver com um catálogo4 muito extenso de proibições, algumas até engraçadas5. Por exemplo, a gente não podia usar jeans, roupas muito coloridas, nem óculos escuros. Eu sempre gostei de dormir com o mínimo de roupa possível, mas se Jesus voltasse a noite, diziam que eu ficaria para trás. Uma vez apanhei por fazer piada sobre Jesus voltando enquanto os crentes tomavam banho. Acho que fiz algum gracejo sobre Jesus deixando para trás algumas irmãs pelancudas pegas desprevenidas no banho... Não tinha graça, pra ser sincero.  Qualquer deslize podia te mandar para a geladeira por meses ou anos, o que significava ser cortado das atividades da Igreja. No jargão da época a gente dizia “ser colocado de banco”. Se o leitor suspeitar que quem mais sofria com tanto legalismo eram as mulheres estará coberto de razão.

Deus que é Amor


Mas tive o privilégio de encontrar aquela mensagem de Graça que incendiou o mundo nos dias da Reforma. Aconteceu meio por 'acaso', e se deu num momento bem deliciado da minha adolescência. Aos 16 anos já tomava minha dose diária de sertralina. Bem cedo compreendi a imagem sugerida pela noite escura da alma. Se algum pastor, pai ou mãe legalista estiver lendo essas linhas imploro que compreenda o seguinte: o legalismo mata.  Um legalista é um assassino, da Graça de Deus, de famílias, de pessoas e de reputações. O leitor não precisa acreditar no que digo, pode fazer melhor que isso lendo o primeiro capítulo da obra “É Proibido”, de Ricardo Gondim6. “A letra mata”, é o discurso dos mentirosos, e dos que tem medo de assumir seu próprio analfabetismo teológico. Por sorte eu sempre fui meio 'desviado', e como não podia assistir televisão, mergulhava no mundo da literatura. E foi fuçando um caixa de livros que alguém jogara fora que encontrei o livro “O Despertar da Graça”, de Charles Swindoll7. Ler aquelas páginas destruiu todo o legalismo que havia em mim, e me conduziu humilhado, mas confiante, aos pés da Cruz de Jesus.

Quando compreendi a mensagem da Graça, senti escamas caírem dos meus olhos. E não há nada melhor que o sabor da liberdade. Finalmente estava livre de todo jugo, de todo mandamento humano. Se tenho algum dever, alguma obrigação, alguma meta moral, apenas as Escrituras podem me dizer. Temos na Igreja Anglicana Reformada um documento histórico, redigido nos dias Reforma. Os 39 Artigos de Religião dizem que ninguém pode exigir nada dos fiéis a menos que a Bíblia assim ordene como mandamento de Deus. Por causa dessa mensagem libertadora, minha jornada teológica e espiritual tomou rumos que eu jamais teria imaginado. Claro, cometi erros e enfrentei oposições pelo caminho. “Sua graça me basta”. É por causa dessa mensagem que, ainda hoje, me sinto no dever de repelir todo assassino da Graça, mesmo aqueles que encontro entre meus irmãos herdeiros da Reforma. Sim, pois para minha decepção, acabei descobrindo que muito reformado é tão legalista quanto os pentecostais da minha infância e adolescência foram. Ah, os assassinos da Graça! Eles estão por todo lado! Às vezes, dentro de cada um de nós.

A Graça me fez compreender também que a natureza humana é tão corrompida pelo pecado, tão orgulhosa e cheia de auto justificação, que sempre pensará que pode merecer algo de Deus. Não é maravilhoso saber que Cristo já fez tudo por nós, e que a salvação não depende de obras ou de qualquer coisa que possamos fazer? É! Porém, nosso pecado, nosso orgulho, nossa autoconfiança, sempre tentarão nos convencer a encontra algo de bom em nós mesmos. O veneno do Éden nos cegou, a língua da serpente nos seduziu a pensar que precisamos merecer o céu.  Não sei exatamente quando conheci Jesus, mas sei quando descobri que o  legalismo é uma doença, e que a Graça é a cura.  Porque o legalismo conduz aos juízes do Sinédrio, mas a Graça nos conduz ao Crucificado, de quem jorrou vida em abundância.

* Marcelo Lemos, presbítero na Free Church of England, editor do Olhar Anglicano, e da Revista Báculo. 
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Notas Bibliográficas

1 Mas a técnica não foi inventada por Finney. Seus primeiros registros na História datam do Século XVIII entre as Igrejas Metodistas Episcopais. Tradicionalmente, a arquitetura das Igrejas anglicanas – de onde surge o movimento metodista – chama a área à frente da mesa de comunhão de altar, e ocasionalmente, alguns pregadores metodistas convidavam os pecadores tocados pela pregação à irem àquele local. Mais tarde, o altar deu lugar ao ‘banco dos ansiosos’, onde aqueles que desejavam aprender mais sobre fé e arrependimento se sentavam, enquanto o restante da congregação seguia em oração. A técnica foi adotada pela maioria dos evangelísticas itinerantes, como Finney, e transformou-se num sacramento evangélico. Veja mais em “O Convite ao Altar e a Chamada Eficaz”, de Sam Hamstra Jr., Monergismo.

2 “Não me escolhestes vós a Mim, mas Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” (S. João 15:16).

3 Apesar do pesado fardo que impõe, é muito difícil a pessoa tomar a decisão de abandonar o legalismo. André Santos, pastor, afirma que “Uma das coisas mais difíceis que existem na caminhada cristã, e tenho descoberto no decorrer dos anos, é deixar de ser legalista. Não é do dia para a noite que uma pessoa deixa para trás antigas formas de pensar e agir que lhes foram inculcadas durante anos” (O Legalismo e seus desdobramentos, Ultimato, acesso em 20/05/2018).

4 Recentemente tivemos acesso ao novo “RI”, regulamento interno, da Deus é Amor, e, para nossa surpresa, concessões começam a ser feitas. Por exemplo, na página 32 já não se proíbe o uso de pandeiro e bateria, desde que “se consulte a Sede Mundial para orientações”. Também já não se pune quem usa métodos anticoncepcionais, apenas é dito que “a Igreja aconselha os casais... que procurem os métodos naturais”, e enquanto antes se podia excluir uma irmã que cortasse o cabelo, a proibição agora vem em forma de orientação (pg. 39). Assistir televisão ainda é prescrito como pecado punível pelos pastores (pg. 40).

5 Apesar de uma maior permissividade quanto ao tamanho do cabelo, a denominação segue proibindo tratamentos capilares, e também o uso de perucas. Mas, se “houver perda total do cabelo”, a infeliz irmã é aconselhada a procurar a diretoria “que analisará o caso” (pg. 42).

6 GONDIM. Ricardo: “É Proibido. O que a Bíblia Permite e a Igreja Proíbe”. Mundo Cristão, São Paulo, 1998.

7 SWINDOLL. Charles R.: “O Despertar da Graça”. Editora Bom Pastor, São Paulo, 1004. Atualmente há uma edição da Mundo Cristão, de 2009.

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