Rev. Marcelo Lemos
Nossa Igreja tem bispos. Tem ainda presbíteros e diáconos. Mas isso não é tudo: em nossa Igreja os bispos - bem como os presbíteros e diáconos - possuem Sucessão Histórica. Falando sem rodeios, os nossos bispos não são como os "bispos" da "Universal do Reino de Deus" (IURD), e outras mais. Voltaremos a este ultimo ponto no próximo artigo.
Se a Igreja na qual o leitor serve a Cristo não existe o Episcopado, ha grave pecado contra Cristo nela. Ainda que ela seja parte da Igreja verdadeira, e que o Evangelho nela seja encontrado integralmente, e almas sejam salvas por seu intermédio, o pecado de não obedecer ao modelo bíblico de governança eclesiástica se faz presente ali. Vamos entender melhor essa questão?
EPISCOPADO BÍBLICO
Precisamos, antes de qualquer outra coisa, demonstrar que a existência dos Bispos tem importância para a vida da Igreja, e que tal importância seja comprovada nas Escrituras Sagradas. Depois de fazermos isto poderemos falar sobre a importância da Sucessão Histórica.
Sabemos que nem todas as tradições cristas concordam neste ponto. Especialmente no Brasil, onde o sistema episcopal é tao pouco conhecido, e mais das vezes confundido com o próprio sistema "papal", o que mais encontramos são argumentos contra a existência dos Bispos.
O argumento mais forte usado por batistas, presbiterianos e congregacionalistas diz que os termos bíblicos "bispos", "presbíteros" e "anciões", são utilizados de modo intercambiável, referindo-se as mesmas pessoas, mas destacando aspectos diferentes de suas funções. Ou seja, os guias espirituais da Igreja são "anciões", que exercem funções de bispo e de presbíteros, ou vice-versa. Neste caso, bispo e presbítero falam de uma coisa apenas.
Este argumento é forte pelo simples fato de que eh, essencialmente, verdadeiro - ainda que mortalmente incompleto. O site Palavra Prudente, um ministério de ensino batista fundamentalista, assim tenta explicar a questão:
"Os principais oficiais nas igrejas do Novo Testamento eram chamados bispos, ou anciãos, ou pastores. "Que os apelativos 'bispos', 'presbíteros' ( ou ancião) e 'pastor' designam o mesmo ofício e ordem de pessoas, pode ser visto de Atos 20:28... (cf. 17...) ... Fil. 1:1; 1 Tim. 3:1,8; Tito 1:5,7; 1 Ped. 5:1,2..." (...)
Mas em vez de mostrar que os termos designam dos dois ofícios, esta passagem mostra que um ofício envolvia duas espécies de trabalho: ensinar e reger ou superintender. Alguns ocupantes do ofício eram mais felizes em um do que no outro, sendo o ensino considerado como a função mais elevada do ofício. As passagens seguintes mostram que ensinar e superintender pertenciam ao mesmo individuo: Atos 20:28-31; Efe. 4:11; Heb. 13:7; 1 Tim. 3:2" (1).
Segundo tal interpretação as Igrejas episcopais estão em grave erro, pois fazem distinção entre Bispos, Presbíteros. Lembrando que a distinção dos Diáconos raramente se discute: quase toda denominação crista possui um ordem diaconal. Quanto a ter bispos, nem todas concordam, e o argumento que extraímos do site acima sempre se apresenta contra nossa tradição. Como podemos responder a ele?
Primeiramente reconhecemos que existe boa dose de verdade no argumento. De fato, os termos "bispo", "anciãos" e "presbíteros" são utilizados no Novo Testamento para descreverem as mesmas pessoas, enfatizando aspectos diferentes de seu trabalho na Igreja. Isso facilmente se comprova para o leitor que se der ao trabalho de ler as referencias listadas.
Contudo, não quer dizer que a posição congregacionalista, ou simplesmente "não-episcopal", seja verdadeira. Muito pelo contrario, seguimos afirmando que tais posições são falsas, e seus modelos eclesiásticos ferem o padrão estabelecido por Cristo e seu Colégio Apostólico. Basicamente, seu erro se deve ao fato de não aceitarem integralmente todo o contexto bíblico referente a este tema. Se eles leem que um "bispo" é chamado de "ancião" ou de "presbítero" no Novo Testamento, concluem que não existia, em qualquer sentido, distinção entre tais oficios. O contexto neotestamentário, porem, desmente essa interpretação.
Antes de irmos ao próximo ponto nos permitam uma rápida ilustração. Quanto fui ordenado ao Presbiterato, ouvi no sermão do Bispo Francisco Buzzo, que eu continuaria sendo, enquanto viver, simplesmente um "diácono", assim como ele mesmo, e também o Bispo Josep Rossello, ainda continuavam sendo... "diáconos". Alguns dos presentes a cerimonia poderiam dizer que a Igreja rejeita que exista, portanto, distinção entre as Ordens Sagradas? Evidentemente não, porem, podemos dizer que um Presbítero, e até mesmo um Bispo, sempre sera um "diácono" na Igreja de Cristo.
Na verdade, ate mesmo os apóstolos eram tidos, neste sentido, como diáconos da Igreja, ou seja, "servidores", conforme atesta a Teologia Sistematica de Horton, publicado pela CPAD:
"Este termo [diácono] relaciona-se com diakonia, a palavra mais usada no Novo Testamento para descrever o serviço cristão normal. Tendo amplo uso nas Escrituras, descreve o ministério do povo de Deus em geral (Ef 4.12), bem como o ministério dos apóstolos (At 1.17,25). Até mesmo o próprio Jesus o utiliza, para descrever seu propósito primário: "O Filho do Homem também não veio para ser servido [diakonêthênai], mas para servir [diakonêsai] e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mc 10.45). Em termos simples: os diáconos são servos, ou "ministros", no sentido mais fiel da palavra. Esse fato é acentuado por Paulo ao listar as qualificações para o diaconato, em 1 Timóteo 3.8-13. Muitas das especificações nesse texto são as mesmas do cargo de bispo (ou pastor), mencionados nos versículos anteriores (1 Tm 3.1-7)" (2).
Com isso em mente vamos ao próximo ponto.
Se por um lado os termos que a Bíblia utiliza em referencia aos ministros do Evangelho podem ser utilizados de modo bastante intercambiável, por outro lado, também podemos demonstrar que alguns homens são descritos no Novo Testamento como exercendo maior autoridade sobre as Igrejas de então. Alias, o termo "bispo" significa "superintendente", ou "supervisor", funções que de modo muito peculiar eram exercidas por alguns lideres neotestamentários.
Este é o caso de Tito, que recebe de Paulo a incumbência de nomear lideres para as Igrejas locais. Ainda que os congregacionalistas de nosso tempo rejeitem essa ideia, a encontramos claramente na carta que S. Paulo envia a seu colaborador:
"A Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.
Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já mandei:
Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fieis..." (Tito 1: 4-6ss).
Como sabemos, essas mesmas regras para a escolha e ordenação de presbíteros e bispos também foi dada por Paulo a outro de seus discípulos, Timóteo (I Tim. 3, por exemplo). Podemos saber, com certeza, então, que pelo menos Paulo, Timóteo e Tito tinham autoridade sobre varias igrejas, exercendo a prerrogativa de "supervisionar" o que acontecia nelas, inclusive no tocante a escolha de seus lideres, ou a deposição dos mesmos.
Certamente o Bispo é também um presbítero, um pastor, e até mesmo um "diácono", contudo, tem recebido de Deus o dom de supervisionar outros lideres da Igreja, e suas respectivas congregações. Tal trabalho de supervisão não foi inventado pela Igreja corrupta, nem por homens sedentos de poder, mas pode ser rastreado por todo o Novo Testamento.
Quão distantes do padrão bíblico estão os congregacionalistas de nossos dias!
Sim, a Igreja de Cristo recebe de Deus pessoas com a função de supervisionar o trabalho cristão. Assim como os Apóstolos, e também seus sucessores ainda no Novo Testamento faziam, também hoje continua a ser função destes obreiros tarefas como:
(1) Impor as mãos, a fim de ordenar e reconhecer o dom de Deus sobre outros homens (II Tim. 1:6; Atos 15: 41; 18:23);
(2) Exercer disciplina e o governo temporal sobre a Igreja de Cristo (I Cor. 5).
Para nos, anglicanos, o desejo de Reformar velhas estruturas que ameaçavam - e ainda ameaçam - a pureza do Evangelho, em nada significa rejeitar aquilo que claramente a Igreja tem mantido fielmente desde os dias apostólicos. Temos Bispos? Sim, graças a Deus!
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(1) http://www.palavraprudente.com.br/estudos/tpaul_s/doutrinabiblica/cap34.html
(2) Teologia Sistemática, CPAD. Stanley M. Horton
Anatote Lopes, seria legal reenviar o seu comentário. Abraços, e seja bem-vindo.
ResponderExcluirOs presbiterianos e congregacionalistas tambem esquescem a tradiçao da igreja primitiva , pelo meu raciocinio , eu acho que eles nao tinham bispos por acaso mas seguiam uma longa tradiçao que começou com os apostolos entao a leitura dos dois citados no principio esta errada.
ResponderExcluirDeus lhe abençoe.
Marcelo Lemos, eclesiologia é um tema que gosto muito mas, infelizmente, não é uma questão tão popular quanto deveria. Quando olhamos para a Igreja brasileira, vemos uma grande crise eclesiológica e se essas questões não forem tratadas com mais seriedade, não teremos como resolver o problema.
ResponderExcluirSegue minhas considerações sobre seu texto:
Ainda que, em um sentido amplo, os Apóstolos, por exemplo, eram pastores, no sentido de que eles pastoreavam a Igreja de Deus, Efésios 4:11 trata o apostolado e o pastorado como ofícios distintos e, sendo assim, se estamos tratando de ofícios específicos, temos que distinguir entre uma coisa e outra. Efésios 4:11 distingue, por exemplo, entre Apóstolo e Profeta ainda que, em um sentido amplo, poderiamos dizer que S. João Apóstolo era um profeta, por conta do Apocalipse. Da mesma forma, Efésios 4:11 distingue entre Apóstolos e Evangelistas, ainda que em um sentido amplo, os Apóstolos eram evangelistas, no sentido de que eles também evangelizava. Alias, em um sentido amplo, poderiamos dizer que todo pai de família é um pastor, que todo cristão é um evangelista, etc. Mas se estamos tratando de ofícios específicos, com sua respectivas obrigações, responsabilidades e limites de autoridade, temos distinguir as coisas, como Efésios 4:11 claramente faz. Apóstolos, Profetas e Evangelistas eram três ofícios distintos, assim como o Diácono era um ofício distinto. Caso não façamos essa distinção, vamos começar a tratar Pastores como se fossem Apóstolos, Diáconos como se fossem Profetas, etc. rs Em Atos 6:2, por exemplo, claramente vemos que os Apóstolos eram Ministros da Palavra, mas Diáconos não, estes "serviam as mesas" (At 6:2).
Dentro disso, é importante notar que não existe qualquer evidência no Novo Testamento para argumentar que Tito e Timóteo eram bispos/presbíteros/pastores. Creio que, com base na evidência que temos, o mais provável é que os dois eram Evangelistas, o mesmo ofício descrito em Efésios 4:11.
Primeiro, porque eles nunca são chamados de bispos/presbíteros/pastores.
Segundo, porque Paulo explicitamente chama Timóteo de Evangelista: "Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um Evangelista, cumpre o teu ministério". (II Timóteo 4:5)
Terceiro, porque eles são instituídos de maneira diferente que os bispos/presbíteros/pastores. Atos dos Apóstolos mostra que os presbíteros eram eleitos pela congregação:
ResponderExcluir"Mas quando os discípulos o rodearam, ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte partiu com Barnabé para Derbe. E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé, dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus. E, havendo-lhes feito eleger presbíteros em cada igreja e orado com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido". (Atos 14:20-23)
Veja qual era o padrão da Igreja. Paulo e Barnabé anunciaram o evangelho, fizeram muitos discípulos e passaram um tempo ensinando os novos convertidos. Não é dito quanto tempo ele ficou aí, mas em Éfeso ele ficou dois anos, Atos 19:10, então creio que deve ter sido pelo menos isso, para dar tempo de treinar os novos líderes. De qualquer forma, veja que a maneira com que os presbíteros eram escolhidos era por meio de uma eleição em que os próprios membros das igrejas votavam. Se Paulo e Barnabé procediam assim para então instituir os novos presbíteros, não há motivos para crer que Tito ou Timóteo fariam diferente. Tito e Timóteo pregariam, ensinariam as igrejas, pegariam as características listadas em Tito 1 e I Timóteo 3 para explicar que tipo de homem tinha que ser eleito, e promoveriam uma eleição, igual Paulo e Barnabé fizeram. Quem ganhasse as eleições, então, seria ordenado. Observe que foi assim também que os primeiros diáconos foram instituídos:
"E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; E os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos". (Atos 6:2-6)
Mas não era assim na escolha dos Apóstolos. Apóstolos não eram eleitos pela Igreja. Eles tinham que ser nomeados diretamente por Deus/Cristo:
"E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal. Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: O primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu; Simão o Zelote, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu". (Mateus 10:1-4)
"E, orando, disseram: TU, SENHOR, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois TENS ESCOLHIDO, Para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar". (Atos 1:24-25)
"Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, NEM POR homem algum, mas POR JESUS CRISTO, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)". (Gálatas 1:1)
É o mesmo padrão que encontramos entre os Profetas, desde o AT. Os Profetas tinham que ser chamados diretamente por Deus:
"Assim veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, Senhor DEUS! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás. Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar, diz o SENHOR. E estendeu o SENHOR a sua mão, e tocou-me na boca; e disse-me o SENHOR: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca". (Jeremias 1:4-9)
De maneira parecida, as evidências demonstram que os Evangelistas também não eram eleitos pelo povo, mas era escolhidos DIRETAMENTE por um Apóstolo, para serem seus companheiros e secretários especiais:
ResponderExcluir"E chegou a Derbe e Listra. E eis que estava ali um certo discípulo por nome Timóteo, filho de uma judia que era crente, mas de pai grego; Do qual davam bom testemunho os irmãos que estavam em Listra e em Icônio. Paulo quis que este fosse com ele; e tomando-o, o circuncidou, por causa dos judeus que estavam naqueles lugares; porque todos sabiam que seu pai era grego". (Atos 16:1-3)
"E alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão. E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos". (Atos 15:36-37)
"Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, MEUS COOPERADORES". (Filipenses 1:24)
"Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades". (Filipenses 2:25)
"Roguei a Tito, e enviei com ele um irmão. Porventura Tito se aproveitou de vós? Não andamos porventura no mesmo espírito, sobre as mesmas pisadas?" (II Coríntios 12:18)
Nenhum desses homens, frequentemente associados com os Apóstolos, tinham igrejas fixas, assim como os Apóstolos não tinham. Como estes e outros textos mostram, eles estavam sempre indo para aonde os Apóstolos iam e frequentemente eram enviados para os lugares para fazer tarefas específicas, sob a autoridade dos Apóstolos, sendo tratados como seus representantes especiais. Isso, tudo indica, era o ofício do Evangelista. Vemos o mesmo padrão com Filipe, que, assim como Timóteo, é explicitamente identificado como Evangelista (At 21:8):
"E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia; Pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade".(Atos 8:5-8)
"E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito. Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo". (Atos 8:13-17)
Se compararmos a atuação ministerial destes homens, como Timóteo, Tito, Lucas, Marcos, Epafrodito, fica claro que eles, assim como os Apóstolos, não tinham igrejas fixas, mas tinham autoridade sobre as igrejas de forma geral, como representantes oficiais dos Apóstolos, sendo seus cooperadores. Veja que Paulo DEIXOU Tito em Creta para organizar as coisas lá (Tito 1:5), o que mostra que NÃO era seu lugar PERMANENTE. Assim como Paulo e Barnabé fizeram em Atos 14, ele faria lá e depois iria embora para continuar o trabalho em outros lugares, como o final da carta mostra: "Quando te enviar Artemas, ou Tíquico, procura vir ter comigo a Nicópolis; porque deliberei invernar ali". (Tito 3:12) O mesmo vemos em relação a Timóteo, que ele foi deixado lá para organizar o trabalho, assim como eles faziam em muitos lugares, mas não há qualquer evidência de que tratava-se de uma hierarquia em que Timóteo era bispo sobre os demais bispos: "Escrevo-te estas coisas, embora esperando ir ver-te em breve, para que, NO CASO DE EU TARDAR, saibas como se deve proceder na casa de Deus, a qual é a igreja do Deus vivo, coluna e esteio da verdade". (I Timóteo 3:14-15) II Timóteo deixa isso ainda mais claro, que não era seu lugar fixo: "Erasto ficou em Corinto; a Trófimo deixei doente em Mileto. Apressa-te a vir antes do inverno. Saúdam-te åubulo, Pudente, Lino, Cláudia, e todos os irmãos". (II Ti 4:20-21) O mesmo vemos em todas as cartas e no Atos dos APóstolos, que estes homens eram secretários e cooperadores dos Apóstolos e, segundo tudo indica, este era o ofício de Evangelista.
ResponderExcluirTendo dito isso, o máximo que se pode demonstrar com os exemplos de Tito e Timóteo é que eles tinham autoridade sobre os bispos/presbíteros (que Tito 1:5-7 claramente usa como sinônimos), mas não se pode demonstrar que havia uma hierarquia entre os próprios bispos/presbíteros, um tendo poder sobre outros. Tito e Timóteo teriam autoridade sobre eles, como sobre todos as igrejas, como cooperadores e representantes oficiais dos Apóstolos, o que eu creio terem sido os Evangelistas, conforme Efésios 4:11 mostra. E, assim como não há ordem para ordenar Apóstolos e Profetas (pois estes eram chamados diretamente por Deus), também não há ordem para ordenar Evangelistas. Há ordem para ordenar somente presbíteros/bispos/pastores, como Ministros da Palavra, e Diáconos, para servirem às mesas. São esses os ofícios que temos agora, enquanto Apóstolos, Profetas e Evangelistas cessaram.
Então, para resumir:
1) Não existem evidências na Bíblia de que Tito ou Timóteo eram bispos/presbíteros.
2) A maneira com que a Bíblia descreve tanto o ministério quanto o chamado deles e de outros, como Lucas, Marcos e Epafrodito, é diferente da maneira com que descreve o ministério dos bispos/presbíteros, pois eles não tinham igrejas fixas sobre as quais exerciam autoridade, mas viviam viajando com os Apóstolos e exerciam autoridade onde quer que os Apóstolos tivessem ou para onde os Apóstolos os enviassem.
3) Timóteo é explicitamente chamado de "Evangelista".
4) Nunca é dito que que qualquer bispo/presbítero tinha uma autoridade especial sobre os demais. Somente os Apóstolos e seus cooperadores, como Timóteo, que é chamado de "Evangelista", exerciam esse tipo de autoridade sobre as igrejas, mas ainda assim, não era sobre igreja específicas, mas era sobre tods as igrejas, de forma geral:
"Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de TODAS AS IGREJAS". (II Coríntios 11:28)
Não havendo, então, mas Apóstolos com seus cooperadores, o que sobra são os Presbíteros/Bispos/Pastores, com a mesma autoridade, para governar as Igrejas.
Grande abraços!