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Residência Missionária
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Teologia Vocacional

Ser um Obrero Aprovado

“Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.”

2 Timóteo 2:15

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VOCÊ SABIA?

Os recursos que você investe em sua formação teologia e ministerial na Academia de Liderança da NAMS é integralmente revertido para a obra missionária no Brasil e na Ásia. Atualmente temos um posto avançado de plantadores de Igrejas no Brasil e apoiamos a formação de cerca de 200 obreiros em países da Ásia em regiões de maioria muçulmana. Você é parte dessa missão!

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REVISTA BÁCULO

Com mais de 5 anos de existência, a Revista Báculo já é um marco importante da mídia evangélica no Brasil. Todos os meses, nossa revista proporciona ao leitor artigos, estudos, entrevistas e análises relevantes para a vida cristã e para o ministério. Aqui no site você tem acesso a todas as edições já publicadas.

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FORMAÇÃO MINISTERIAL

Ao estudar com a gente você apoia a obra missionária no Brasil e na Ásia e conta com um conteúdo de primeira qualidade! E você pode escolher quais módulos se encaixam melhor em sua formação teológica e ministerial. Além disso, ao completar os créditos educativos necessários você adquire o Diploma de Bacharel em Teologia chancelado pela New Anglican Missionary Society (NAMS)

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DISCERNIMENTO VOCACIONAL

Nós ajudamos você a descobrir o chamado de Deus para a sua vida. E mais do que isso, te ajudamos a discernir como o chamado de Deus para o seu Ministério pessoal se conecta com o contextual atual da Igreja no mundo. Mais do que nunca, precisamos de pessoas comprometidas com o Evangelho denuíno no Brasil e no mundo. Seja parte da mudança.

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RESIDÊNCIA MISSIONÁRIA

Nossa escola é chancelada pela New Anglican Missionary Society(NAMS), sediada na Carolina do Sul (EUA). Apoiamos a NAMS em suas iniciatias missionárias ao redor do mundo, como é o caso da Residência Missionária, um projeto ousado que possibilita estar a serviço da Igreja de Cristo em diversos locais do mundo.

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TEOLOGIA VOCACIONAL

A Vocação Cristã não se limita aos dons ministeriais ou ao Ministério Ordenado. Na verdade, uma das grandes contribuições de Lutero para a teologia cristã foi uma visão bíblica da vocação, na qual cada pessoa, cada profissão e cada ato da Igreja no mundo é parte da missão do Deus Trinitariano na História. Esse curso irá transformar sua visão da vida e da vocação cristãs.

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domingo

Flertando com o liberalismo? Parte 2


Rev. Marcelo Lemos

Acredito ter ficado claro no primeiro artigo – Flertando com o Liberalismo? - duas coisas: primeiro, que não escrevi motivado pelo debate Calvinismo X Arminianismo, ainda que eu mesmo seja um calvinista; segundo, que não estou acusando o pastor arminiano presente ao debate de ser, de fato, um liberal. 


Entretanto, o que vimos acontecer no debate do programa “Vejam Só!”, da Rit, semana passada foi, mesmo que sem intenção, um flerte com o liberalismo. E o fato de que o pastor arminiano, e seus defensores, não consigam perceber isso é tanto decepcionante quanto assustador.

Vou citar aqui, uma vez que o debate persiste,  o principal argumento usado para defender a posição que o pastor arminiano defendeu no debate da RIT. O argumento que analisarei aqui pode ser encontrado no maior portal em defesa da teologia arminiana no Brasil (Arminianismo.Com). Trata-se de um argumento usado pelo site, e também por vários arminianos no Facebook – ainda que até mesmo irmãos arminianos repudiam a confusão feita no debate, e perpetuada depois por muitos.

“Como não havia um desenvolvimento teológico a respeito dos agentes (o diabo e seus anjos, por exemplo) que também atuam no universo criado por Deus, tudo era atribuído a Deus, até porque, de uma forma ou de outra, tudo está sob o seu controle, mesmo quando algo é feito por intermédio de outro. Os casos de Jó e Davi (a respeito do censo que ele levantou) são clássicos. Ainda que aqueles males tenham sido provocados pelo diabo, eles são atribuídos a Deus”.

Esse argumento, admito, é muito melhor que o argumento usado pelo pastor arminiano durante o debate. Porque nesse argumento ao menos se admite que “tudo está sob o controle de Deus”, então, Deus é a fonte de tudo. Perfeito. Aliás, esse raciocínio, como argumentou Graconato no debate, coloca tanto arminianos quanto calvinistas no mesmo barco a respeito da causa primeira de todas as coisas. Agora, ainda que o pastor arminiano tenha desejado falar a mesma coisa, não foi o que ele fez. Suas palavras foram: “(...) todas as coisas são inadvertidamente atribuídas a Ele, é por isso que nós vemos I Samuel 1 dizer lá que Deus “cerrou a madre de ana”... Como não tem ninguém para fazer isso, tudo é dito que Deus é quem faz, e por isso tudo a culpa é de Deus no Antigo Testamento, sobretudo no Antigo Testamento”.

Observe a diferença entre o argumento usado pelo site Arminianismo.Com e o argumento usado pelo pastor arminiano. Para o site é dito que a culpa é Deus porque, de certa forma , Deus controla todas as coisas. Mas para o pastor, tudo é atribuído a Deus porque os autores escreveram “inadvertidamente”. Ora, no primeiro caso o site está interpretando o texto bíblico, sem lançar contra ele um juízo negativo de valor, já no segundo está claramente sendo dito que o texto errou. Interpretar é coisa legítima, mesmo quando se erra, mas fazer juízo negativo contra o conteúdo do texto é liberalismo – não importa que o maior site arminiano do Brasil tente dizer o contrário.

No entanto, mesmo o site Arminianismo.com cai no erro de atribuir imperfeição ao texto bíblico; se é verdade que o parágrafo citado termina bem, seu começo é um ataque contra a inerrância bíblica, porque o autor diz: “Como não havia um desenvolvimento teológico a respeito dos agentes (o diabo e seus anjos, por exemplo) que também atuam no universo criado por Deus, tudo era atribuído a Deus”. Afinal, porque a Bíblia diz no Antigo Testamento que Deus criou este ou aquele mau? Ela fez isso porque seus escritores eram ignorantes, ou ela fez isso porque, de alguma forma, Deus realmente controla todas as coisas? Um arminiano pode simplesmente ficar com a segunda hipotese, e com isso aceitar que a Bíblia não erra. Mas não é o que o pastor fez lá na RIT, e não é, infelizmente, o que o site Arminianismo.com publicou em sua página. Para ambos, os autores impregnaram o texto bíblico com seus erros teológicos.

Acerca de todo o debate que se gerou depois do programa, o site arminiano declara o seguinte: “a acusação do Graconato e dos calvinistas é injusta. O Pastor não afirmou que a Bíblia contém erros, poderia dar a eles pelo menos o benefício da dúvida”. Como já afirmei no primeiro artigo, minha opinião é que o pastor arminiano realmente usou um péssimo argumento, sem se dar conta das implicações lógicas do mesmo. Longe de mim acusar o pastor de liberal – mas que certo aspecto de seu argumento é o mesmo da neo-ortodoxia, sem dúvida o é. E não apenas o argumento dele flerta com o liberalismo, o mesmo fazem todos aqueles que, com argumentos semelhantes, tentam salvá-lo. E repito: nenhum arminiano precisa disso, e aqueles que se apegam a tal, apenas demonstram quão frágil é sua teologia, a ponto de precisarem atacar a própria Escritura em sua defesa.

Quanto a deixar que o pastor arminiano se defenda, sou completamente a favor. No entanto, durante o debate, não ficou nenhuma dúvida sobre o que ele estava dizendo sobre os autores bíblicos terem feito afirmações erradas. Não importa quanto o site arminiano acuse o Pastor Graconato de ter tratado seu colega com falta de caridade, a verdade é que o calvinista o interrogou lá mesmo; acompanhe a transcrição que fiz:

Pastor Arminiano: “todas as coisas são “inadvertidamente” atribuídas a Ele, é por isso que nós vemos I Samuel 1 dizer lá que Deus “cerrou a madre de ana”... Como não tem ninguém para fazer isso, tudo é dito que Deus é quem faz, e por isso tudo a culpa é de Deus no Antigo Testamento, sobretudo no Antigo Testamento (…) tudo então acabava sendo atribuído a Deus”.

Pastor Calvinista: “Erradamente?”

Pastor Arminiano: ““Erradamente, sem dúvida alguma! Porque Deus não tem a culpa de tudo isso!”.

Onde está a falta de caridade? Para ter certeza de que entendia corretamente o argumento do arminiano, o pastor calvinista torna a pergunta ainda mais específica (como se precisasse):

Pastor Calvinista: “Erros no Antigo Testamento?”

Pastor Arminiano: “Não! Erros na visão teológica de muitos autores bíblicos... nem tudo que a Bíblia narra ela aprova”.

Aqui temos uma boa notícia, e uma má. A boa é que o pastor, de fato, não deve ser acusado de ser um liberal, e neste site jamais o acusamos de tal coisa. A notícia ruim é que, apesar de acreditar que o Antigo Testamento não erra, seu argumento diz exatamente o contrário: o Antigo Testamento errou! Atentem para o eufemismo utilizado pelo pastor arminiano: “Erros na visão teológica de muitos autores bíblicos”. Ora, mas onde é que o pastor leu essa visão teológica errada dos tais autores bíblicos? Foi no Corão? Foi no livro dos Vedas? Foi no Livro de Mórmon? Claro que não! Certamente foi na Bíblia, logo, a Bíblia registrou uma teologia errada, transmitida aos povo de Israel como Palavra de Deus – logo, a Bíblia errou! Pior do que isso: errou e mentiu, porque, segundo o argumento, aquilo não era Palavra de Deus, e sim palavra de homens com uma teologia equivocada.

O mais assustador é a aparente incapacidade de lidar com conceitos teológicos distintos, ainda que relacionados. Vamos demonstrar essa aparente incapacidade de modo breve, antes de encerrarmos:

1) Tanto o pastor arminiano quanto seus defensores, argumentam, por exemplo, que “nem tudo que a Bíblia narra ela aprova”. Isso é verdade! Quando a Bíblia diz que “A” matou “B” não significa que ela aprova o assassinato. Quando a Bíblia diz que “C” estuprou “D” não significa que ela aprova aquela violação. Por exemplo, a Bíblia narra que os habitantes de Sodoma queriam ter relações sexuais os dois anjos que visitam Ló. Ela narra. Não diz que é bom. Mas isso não quer dizer que exista erro na narrativa, ou uma visão teológica “inadvertida” nela, ou em qualquer outra.

2) Tanto o pastor arminiano quanto seus defensores argumentam, ainda, que a Revelação Bíblica foi progressiva. Foi mesmo. Até chegar o Novo Testamento o conceito claro de Trindade, por exemplo, era desconhecido. Mas, quando foi que os autores do Antigo Testamento falaram contra a Trindade? Quando foi que os autores do Antigo Testamento negaram a Trindade? Quando foi que os autores do Antigo Testamento contradisseram o que o Novo Testamento revelou sobre a Trindade? Sim, eles falaram incompletamente, mas nunca contraditoriamente ou falsamente. É verdade que eles não viram a Trindade, mas é igualmente verdadeiro que tudo o que eles viram sobre Deus era a Verdade!

Por outro lado, querem nos convencer que eles viram errado, entenderam errado, e ainda nos transmitiram seus conceitos errados sob o nome de Palavra de Deus? Mas, quando confrontados, gritam “não! Não é isso!”, como se esses conceitos errados eles tivessem encontrados nos livros da Sra. White! Confundindo completamente os próprios conceitos teológicos dos quais se valem em sua defesa, tentam construiu uma apologética – absolutamente desnecessária para sua causa – através de um amontoado de eufemismos.


Não é objeito dessa polêmica aqui no Olhar Anglicano convidar quem quer que seja a abraçar, ou rejeitar, esta ou aquela visão soteriológica. Nossa única preocupação é dizer: não, meus amigos, a Bíblia nunca erra; toda ele é a perfeita Palavra de Deus! É isso que nós, anglicanos reformados, defenderemos, contra os teólogos liberais, ou contra aqueles que, ainda que sem a intenção, flertam com qualquer tipo de ataque as Escrituras. 

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Rev. Marcelo Lemos

Acredito ter ficado claro no primeiro artigo – Flertando com o Liberalismo? - duas coisas: primeiro, que não escrevi motivado pelo debate Calvinismo X Arminianismo, ainda que eu mesmo seja um calvinista; segundo, que não estou acusando o pastor arminiano presente ao debate de ser, de fato, um liberal. 


Entretanto, o que vimos acontecer no debate do programa “Vejam Só!”, da Rit, semana passada foi, mesmo que sem intenção, um flerte com o liberalismo. E o fato de que o pastor arminiano, e seus defensores, não consigam perceber isso é tanto decepcionante quanto assustador.

Vou citar aqui, uma vez que o debate persiste,  o principal argumento usado para defender a posição que o pastor arminiano defendeu no debate da RIT. O argumento que analisarei aqui pode ser encontrado no maior portal em defesa da teologia arminiana no Brasil (Arminianismo.Com). Trata-se de um argumento usado pelo site, e também por vários arminianos no Facebook – ainda que até mesmo irmãos arminianos repudiam a confusão feita no debate, e perpetuada depois por muitos.

“Como não havia um desenvolvimento teológico a respeito dos agentes (o diabo e seus anjos, por exemplo) que também atuam no universo criado por Deus, tudo era atribuído a Deus, até porque, de uma forma ou de outra, tudo está sob o seu controle, mesmo quando algo é feito por intermédio de outro. Os casos de Jó e Davi (a respeito do censo que ele levantou) são clássicos. Ainda que aqueles males tenham sido provocados pelo diabo, eles são atribuídos a Deus”.

Esse argumento, admito, é muito melhor que o argumento usado pelo pastor arminiano durante o debate. Porque nesse argumento ao menos se admite que “tudo está sob o controle de Deus”, então, Deus é a fonte de tudo. Perfeito. Aliás, esse raciocínio, como argumentou Graconato no debate, coloca tanto arminianos quanto calvinistas no mesmo barco a respeito da causa primeira de todas as coisas. Agora, ainda que o pastor arminiano tenha desejado falar a mesma coisa, não foi o que ele fez. Suas palavras foram: “(...) todas as coisas são inadvertidamente atribuídas a Ele, é por isso que nós vemos I Samuel 1 dizer lá que Deus “cerrou a madre de ana”... Como não tem ninguém para fazer isso, tudo é dito que Deus é quem faz, e por isso tudo a culpa é de Deus no Antigo Testamento, sobretudo no Antigo Testamento”.

Observe a diferença entre o argumento usado pelo site Arminianismo.Com e o argumento usado pelo pastor arminiano. Para o site é dito que a culpa é Deus porque, de certa forma , Deus controla todas as coisas. Mas para o pastor, tudo é atribuído a Deus porque os autores escreveram “inadvertidamente”. Ora, no primeiro caso o site está interpretando o texto bíblico, sem lançar contra ele um juízo negativo de valor, já no segundo está claramente sendo dito que o texto errou. Interpretar é coisa legítima, mesmo quando se erra, mas fazer juízo negativo contra o conteúdo do texto é liberalismo – não importa que o maior site arminiano do Brasil tente dizer o contrário.

No entanto, mesmo o site Arminianismo.com cai no erro de atribuir imperfeição ao texto bíblico; se é verdade que o parágrafo citado termina bem, seu começo é um ataque contra a inerrância bíblica, porque o autor diz: “Como não havia um desenvolvimento teológico a respeito dos agentes (o diabo e seus anjos, por exemplo) que também atuam no universo criado por Deus, tudo era atribuído a Deus”. Afinal, porque a Bíblia diz no Antigo Testamento que Deus criou este ou aquele mau? Ela fez isso porque seus escritores eram ignorantes, ou ela fez isso porque, de alguma forma, Deus realmente controla todas as coisas? Um arminiano pode simplesmente ficar com a segunda hipotese, e com isso aceitar que a Bíblia não erra. Mas não é o que o pastor fez lá na RIT, e não é, infelizmente, o que o site Arminianismo.com publicou em sua página. Para ambos, os autores impregnaram o texto bíblico com seus erros teológicos.

Acerca de todo o debate que se gerou depois do programa, o site arminiano declara o seguinte: “a acusação do Graconato e dos calvinistas é injusta. O Pastor não afirmou que a Bíblia contém erros, poderia dar a eles pelo menos o benefício da dúvida”. Como já afirmei no primeiro artigo, minha opinião é que o pastor arminiano realmente usou um péssimo argumento, sem se dar conta das implicações lógicas do mesmo. Longe de mim acusar o pastor de liberal – mas que certo aspecto de seu argumento é o mesmo da neo-ortodoxia, sem dúvida o é. E não apenas o argumento dele flerta com o liberalismo, o mesmo fazem todos aqueles que, com argumentos semelhantes, tentam salvá-lo. E repito: nenhum arminiano precisa disso, e aqueles que se apegam a tal, apenas demonstram quão frágil é sua teologia, a ponto de precisarem atacar a própria Escritura em sua defesa.

Quanto a deixar que o pastor arminiano se defenda, sou completamente a favor. No entanto, durante o debate, não ficou nenhuma dúvida sobre o que ele estava dizendo sobre os autores bíblicos terem feito afirmações erradas. Não importa quanto o site arminiano acuse o Pastor Graconato de ter tratado seu colega com falta de caridade, a verdade é que o calvinista o interrogou lá mesmo; acompanhe a transcrição que fiz:

Pastor Arminiano: “todas as coisas são “inadvertidamente” atribuídas a Ele, é por isso que nós vemos I Samuel 1 dizer lá que Deus “cerrou a madre de ana”... Como não tem ninguém para fazer isso, tudo é dito que Deus é quem faz, e por isso tudo a culpa é de Deus no Antigo Testamento, sobretudo no Antigo Testamento (…) tudo então acabava sendo atribuído a Deus”.

Pastor Calvinista: “Erradamente?”

Pastor Arminiano: ““Erradamente, sem dúvida alguma! Porque Deus não tem a culpa de tudo isso!”.

Onde está a falta de caridade? Para ter certeza de que entendia corretamente o argumento do arminiano, o pastor calvinista torna a pergunta ainda mais específica (como se precisasse):

Pastor Calvinista: “Erros no Antigo Testamento?”

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Aqui temos uma boa notícia, e uma má. A boa é que o pastor, de fato, não deve ser acusado de ser um liberal, e neste site jamais o acusamos de tal coisa. A notícia ruim é que, apesar de acreditar que o Antigo Testamento não erra, seu argumento diz exatamente o contrário: o Antigo Testamento errou! Atentem para o eufemismo utilizado pelo pastor arminiano: “Erros na visão teológica de muitos autores bíblicos”. Ora, mas onde é que o pastor leu essa visão teológica errada dos tais autores bíblicos? Foi no Corão? Foi no livro dos Vedas? Foi no Livro de Mórmon? Claro que não! Certamente foi na Bíblia, logo, a Bíblia registrou uma teologia errada, transmitida aos povo de Israel como Palavra de Deus – logo, a Bíblia errou! Pior do que isso: errou e mentiu, porque, segundo o argumento, aquilo não era Palavra de Deus, e sim palavra de homens com uma teologia equivocada.

O mais assustador é a aparente incapacidade de lidar com conceitos teológicos distintos, ainda que relacionados. Vamos demonstrar essa aparente incapacidade de modo breve, antes de encerrarmos:

1) Tanto o pastor arminiano quanto seus defensores, argumentam, por exemplo, que “nem tudo que a Bíblia narra ela aprova”. Isso é verdade! Quando a Bíblia diz que “A” matou “B” não significa que ela aprova o assassinato. Quando a Bíblia diz que “C” estuprou “D” não significa que ela aprova aquela violação. Por exemplo, a Bíblia narra que os habitantes de Sodoma queriam ter relações sexuais os dois anjos que visitam Ló. Ela narra. Não diz que é bom. Mas isso não quer dizer que exista erro na narrativa, ou uma visão teológica “inadvertida” nela, ou em qualquer outra.

2) Tanto o pastor arminiano quanto seus defensores argumentam, ainda, que a Revelação Bíblica foi progressiva. Foi mesmo. Até chegar o Novo Testamento o conceito claro de Trindade, por exemplo, era desconhecido. Mas, quando foi que os autores do Antigo Testamento falaram contra a Trindade? Quando foi que os autores do Antigo Testamento negaram a Trindade? Quando foi que os autores do Antigo Testamento contradisseram o que o Novo Testamento revelou sobre a Trindade? Sim, eles falaram incompletamente, mas nunca contraditoriamente ou falsamente. É verdade que eles não viram a Trindade, mas é igualmente verdadeiro que tudo o que eles viram sobre Deus era a Verdade!

Por outro lado, querem nos convencer que eles viram errado, entenderam errado, e ainda nos transmitiram seus conceitos errados sob o nome de Palavra de Deus? Mas, quando confrontados, gritam “não! Não é isso!”, como se esses conceitos errados eles tivessem encontrados nos livros da Sra. White! Confundindo completamente os próprios conceitos teológicos dos quais se valem em sua defesa, tentam construiu uma apologética – absolutamente desnecessária para sua causa – através de um amontoado de eufemismos.


Não é objeito dessa polêmica aqui no Olhar Anglicano convidar quem quer que seja a abraçar, ou rejeitar, esta ou aquela visão soteriológica. Nossa única preocupação é dizer: não, meus amigos, a Bíblia nunca erra; toda ele é a perfeita Palavra de Deus! É isso que nós, anglicanos reformados, defenderemos, contra os teólogos liberais, ou contra aqueles que, ainda que sem a intenção, flertam com qualquer tipo de ataque as Escrituras. 

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Entretanto, o que vimos acontecer no debate do programa “Vejam Só!”, da Rit, semana passada foi, mesmo que sem intenção, um flerte com o liberalismo. E o fato de que o pastor arminiano, e seus defensores, não consigam perceber isso é tanto decepcionante quanto assustador.

Vou citar aqui, uma vez que o debate persiste,  o principal argumento usado para defender a posição que o pastor arminiano defendeu no debate da RIT. O argumento que analisarei aqui pode ser encontrado no maior portal em defesa da teologia arminiana no Brasil (Arminianismo.Com). Trata-se de um argumento usado pelo site, e também por vários arminianos no Facebook – ainda que até mesmo irmãos arminianos repudiam a confusão feita no debate, e perpetuada depois por muitos.

“Como não havia um desenvolvimento teológico a respeito dos agentes (o diabo e seus anjos, por exemplo) que também atuam no universo criado por Deus, tudo era atribuído a Deus, até porque, de uma forma ou de outra, tudo está sob o seu controle, mesmo quando algo é feito por intermédio de outro. Os casos de Jó e Davi (a respeito do censo que ele levantou) são clássicos. Ainda que aqueles males tenham sido provocados pelo diabo, eles são atribuídos a Deus”.

Esse argumento, admito, é muito melhor que o argumento usado pelo pastor arminiano durante o debate. Porque nesse argumento ao menos se admite que “tudo está sob o controle de Deus”, então, Deus é a fonte de tudo. Perfeito. Aliás, esse raciocínio, como argumentou Graconato no debate, coloca tanto arminianos quanto calvinistas no mesmo barco a respeito da causa primeira de todas as coisas. Agora, ainda que o pastor arminiano tenha desejado falar a mesma coisa, não foi o que ele fez. Suas palavras foram: “(...) todas as coisas são inadvertidamente atribuídas a Ele, é por isso que nós vemos I Samuel 1 dizer lá que Deus “cerrou a madre de ana”... Como não tem ninguém para fazer isso, tudo é dito que Deus é quem faz, e por isso tudo a culpa é de Deus no Antigo Testamento, sobretudo no Antigo Testamento”.

Observe a diferença entre o argumento usado pelo site Arminianismo.Com e o argumento usado pelo pastor arminiano. Para o site é dito que a culpa é Deus porque, de certa forma , Deus controla todas as coisas. Mas para o pastor, tudo é atribuído a Deus porque os autores escreveram “inadvertidamente”. Ora, no primeiro caso o site está interpretando o texto bíblico, sem lançar contra ele um juízo negativo de valor, já no segundo está claramente sendo dito que o texto errou. Interpretar é coisa legítima, mesmo quando se erra, mas fazer juízo negativo contra o conteúdo do texto é liberalismo – não importa que o maior site arminiano do Brasil tente dizer o contrário.

No entanto, mesmo o site Arminianismo.com cai no erro de atribuir imperfeição ao texto bíblico; se é verdade que o parágrafo citado termina bem, seu começo é um ataque contra a inerrância bíblica, porque o autor diz: “Como não havia um desenvolvimento teológico a respeito dos agentes (o diabo e seus anjos, por exemplo) que também atuam no universo criado por Deus, tudo era atribuído a Deus”. Afinal, porque a Bíblia diz no Antigo Testamento que Deus criou este ou aquele mau? Ela fez isso porque seus escritores eram ignorantes, ou ela fez isso porque, de alguma forma, Deus realmente controla todas as coisas? Um arminiano pode simplesmente ficar com a segunda hipotese, e com isso aceitar que a Bíblia não erra. Mas não é o que o pastor fez lá na RIT, e não é, infelizmente, o que o site Arminianismo.com publicou em sua página. Para ambos, os autores impregnaram o texto bíblico com seus erros teológicos.

Acerca de todo o debate que se gerou depois do programa, o site arminiano declara o seguinte: “a acusação do Graconato e dos calvinistas é injusta. O Pastor não afirmou que a Bíblia contém erros, poderia dar a eles pelo menos o benefício da dúvida”. Como já afirmei no primeiro artigo, minha opinião é que o pastor arminiano realmente usou um péssimo argumento, sem se dar conta das implicações lógicas do mesmo. Longe de mim acusar o pastor de liberal – mas que certo aspecto de seu argumento é o mesmo da neo-ortodoxia, sem dúvida o é. E não apenas o argumento dele flerta com o liberalismo, o mesmo fazem todos aqueles que, com argumentos semelhantes, tentam salvá-lo. E repito: nenhum arminiano precisa disso, e aqueles que se apegam a tal, apenas demonstram quão frágil é sua teologia, a ponto de precisarem atacar a própria Escritura em sua defesa.

Quanto a deixar que o pastor arminiano se defenda, sou completamente a favor. No entanto, durante o debate, não ficou nenhuma dúvida sobre o que ele estava dizendo sobre os autores bíblicos terem feito afirmações erradas. Não importa quanto o site arminiano acuse o Pastor Graconato de ter tratado seu colega com falta de caridade, a verdade é que o calvinista o interrogou lá mesmo; acompanhe a transcrição que fiz:

Pastor Arminiano: “todas as coisas são “inadvertidamente” atribuídas a Ele, é por isso que nós vemos I Samuel 1 dizer lá que Deus “cerrou a madre de ana”... Como não tem ninguém para fazer isso, tudo é dito que Deus é quem faz, e por isso tudo a culpa é de Deus no Antigo Testamento, sobretudo no Antigo Testamento (…) tudo então acabava sendo atribuído a Deus”.

Pastor Calvinista: “Erradamente?”

Pastor Arminiano: ““Erradamente, sem dúvida alguma! Porque Deus não tem a culpa de tudo isso!”.

Onde está a falta de caridade? Para ter certeza de que entendia corretamente o argumento do arminiano, o pastor calvinista torna a pergunta ainda mais específica (como se precisasse):

Pastor Calvinista: “Erros no Antigo Testamento?”

Pastor Arminiano: “Não! Erros na visão teológica de muitos autores bíblicos... nem tudo que a Bíblia narra ela aprova”.

Aqui temos uma boa notícia, e uma má. A boa é que o pastor, de fato, não deve ser acusado de ser um liberal, e neste site jamais o acusamos de tal coisa. A notícia ruim é que, apesar de acreditar que o Antigo Testamento não erra, seu argumento diz exatamente o contrário: o Antigo Testamento errou! Atentem para o eufemismo utilizado pelo pastor arminiano: “Erros na visão teológica de muitos autores bíblicos”. Ora, mas onde é que o pastor leu essa visão teológica errada dos tais autores bíblicos? Foi no Corão? Foi no livro dos Vedas? Foi no Livro de Mórmon? Claro que não! Certamente foi na Bíblia, logo, a Bíblia registrou uma teologia errada, transmitida aos povo de Israel como Palavra de Deus – logo, a Bíblia errou! Pior do que isso: errou e mentiu, porque, segundo o argumento, aquilo não era Palavra de Deus, e sim palavra de homens com uma teologia equivocada.

O mais assustador é a aparente incapacidade de lidar com conceitos teológicos distintos, ainda que relacionados. Vamos demonstrar essa aparente incapacidade de modo breve, antes de encerrarmos:

1) Tanto o pastor arminiano quanto seus defensores, argumentam, por exemplo, que “nem tudo que a Bíblia narra ela aprova”. Isso é verdade! Quando a Bíblia diz que “A” matou “B” não significa que ela aprova o assassinato. Quando a Bíblia diz que “C” estuprou “D” não significa que ela aprova aquela violação. Por exemplo, a Bíblia narra que os habitantes de Sodoma queriam ter relações sexuais os dois anjos que visitam Ló. Ela narra. Não diz que é bom. Mas isso não quer dizer que exista erro na narrativa, ou uma visão teológica “inadvertida” nela, ou em qualquer outra.

2) Tanto o pastor arminiano quanto seus defensores argumentam, ainda, que a Revelação Bíblica foi progressiva. Foi mesmo. Até chegar o Novo Testamento o conceito claro de Trindade, por exemplo, era desconhecido. Mas, quando foi que os autores do Antigo Testamento falaram contra a Trindade? Quando foi que os autores do Antigo Testamento negaram a Trindade? Quando foi que os autores do Antigo Testamento contradisseram o que o Novo Testamento revelou sobre a Trindade? Sim, eles falaram incompletamente, mas nunca contraditoriamente ou falsamente. É verdade que eles não viram a Trindade, mas é igualmente verdadeiro que tudo o que eles viram sobre Deus era a Verdade!

Por outro lado, querem nos convencer que eles viram errado, entenderam errado, e ainda nos transmitiram seus conceitos errados sob o nome de Palavra de Deus? Mas, quando confrontados, gritam “não! Não é isso!”, como se esses conceitos errados eles tivessem encontrados nos livros da Sra. White! Confundindo completamente os próprios conceitos teológicos dos quais se valem em sua defesa, tentam construiu uma apologética – absolutamente desnecessária para sua causa – através de um amontoado de eufemismos.


Não é objeito dessa polêmica aqui no Olhar Anglicano convidar quem quer que seja a abraçar, ou rejeitar, esta ou aquela visão soteriológica. Nossa única preocupação é dizer: não, meus amigos, a Bíblia nunca erra; toda ele é a perfeita Palavra de Deus! É isso que nós, anglicanos reformados, defenderemos, contra os teólogos liberais, ou contra aqueles que, ainda que sem a intenção, flertam com qualquer tipo de ataque as Escrituras. 

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