Olhar Anglicano | Da Redação
"Arcebispos evangélicos conservadores, bispos e outros líderes eclesiásticos de todo o mundo estão reunidos essa semana para discutir se apoiam uma Igreja anglicana "paralela" no Pais", escreveu Ruth Gledhill no portal Christian Today. A comissão precisa lidar com as várias questões levantadas pela evidente divisão interna que vê em toda a Comunhão Anglicana. Como manter unidos sob a mesma bandeira grupos tão diferentes quanto os teólogos 'inclusivistas', e o recém-eleito secretário geral da Comunhão, um bispo nigeriano que defende que o homossexualismo deva permanecer ilegal em seu País? Posições tão opostas não deveriam caminhar separadamente, em uma Igreja "paralela"?
Analistas questionam se tentarão a mesma solução proposta para a Igreja nos Estados Unidos, onde o Gafcon apoia a Anglican Church in North America (ACNA). Até mesmo Papa Francisco manifestou apoio aos trabalhos realizados pela ACNA, como publicamos ano passado. O problema para analistas como Robin G. Jordan, é que ACNA não é uma Igreja reformada nos moldes dos 39 Artigos da Religião, estando claramente comprometida com a agenda anglo-católica. Ou seja, uma Igreja como a ACNA é uma poderosa força contra o avanço liberal, mas não necessariamente uma força a favor da teologia reformada e evangélica.
"Esperamos que o GAFCON tenha aprendido com seus erros na América do Norte, e se recuse a oferecer seu apoio a uma rede de Igrejas que também na Inglaterra não leva a sério a Bíblia como regra fundamental de fé e prática, e não aceita sinceramente os formulários anglicanos como padrão de doutrina e litúrgica", comenta Jordan em seu blog Anglicans Ablaze. Pode-se notar que o desafio não é dos mais simples para os líderes anglicanos reunidos em defesa do Cristianismo histórico dentro da Comunhão Anglicana.
O Arcebispo Eliud Wabukala, primaz do Quênia, escreveu em uma carta pastoral, que o objetivo da reunião é encontrar caminhos viáveis para a restauração do compromisso com a verdade bíblica na Comunhão Anglicana, e acrescentou que existe mais dois desafios importantes diante da Igreja: o radicalismo islâmico e a re-evangelização do Ocidente, o que demonstra a enfase missionária por trás das ações do GAFCON.
Vale ressaltar que já existe a mais de 200 anos uma denominação episcopal reformada e conservadora na Inglaterra - a Free Church Of England, que recentemente teve suas ordens reconhecidas pela Igreja oficial (clique no link da matéria). A FCE é membro ativo do GAFCON, e bem poderia ser adotada como essa via alternativa para os evangélicos e conservadores ingleses, se houvesse acordo neste sentido. Seja como for, os que lutam contra o liberalismo não ficaram sozinhos, ao que tudo indica.
"Ainda é cedo para saber o que vai acontecer", analisa o Reverendíssimo Josep Rossello, bispo comissionado da Free Church Of England para o Brasil. Bispo Josep também esclarece que na reunião desta semana na Inglaterra estarão presentes apenas clérigos membros da Comunhão Anglicana, com exceção do Arcebispo da ACNA. Por essa razão o Primaz John Fenwick, da FCE, não fará parte das deliberações, ainda que a FCE seja membro do GAFCON.



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