Rev.
Marcelo Lemos
“Quem
quer, pode ser salvo?”
Um
internauta levantou essa questão em um fórum do Facebook
recentemente. As pessoas costumam imaginar que existem apenas duas
respostas teológicas possíveis: um “sim”, por parte dos
Arminianos; e um “não”, por parte dos Calvinistas. Bem, como
Calvinista que sou, compreendo que algumas pessoas esperem que eu
responda essa questão com um simples “não”. Mas não é assim
tão simples; na verdade, minha resposta é muito mais radical que
aquela esperada pela pergunta.
Na
prática, a pergunta exige duas respostas evasivas; a positiva - “Sim,
quem quer ser salvo pode ser salvo”; e a negativa - “Não, nem
todos que querem ser salvos podem ser salvos”. São respostas
evasivas, pois quando se fala em “pode” ou “não pode” ser
salvo, tem-se a ideia de que salvação não é um fato, e sim uma
possibilidade que Deus oferece ao homem, dependendo este último
escolher ser ou não beneficiado. Mas, seria Deus o camelô que vende
cd's na porta do açougue? Ao contrário do que boa parte das pessoas
imagina, essas duas respostas só são possíveis para o Arminiano.
O
Calvinismo, na verdade, tem uma resposta muito mais radical que uma
evasiva do tipo “sim, pode” ou “não, nem todos não podem”.
A resposta Calvinista é: “Todo aquele que desejar se Salvo por
meio de Cristo, certamente o será”. É exatamente isso que Jesus
Cristo ensina ao dizer: “Todo o que o Pai me dá virá a Mim; e
o que vem a Mim de maneira nenhuma o lancarei fora” (S. João
6:37).
Há
um lindo hino na Harpa Cristã que acertadamente convida: “Se
alguém deseja, se alguém deseja; venha hoje mesmo receber perdão.
Pois Jesus te chama, ó não chama em vão – se alguém deseja,
venha!” (HC, 109).
Muitos
imaginam que a Doutrina da Eleição significa dizer que muitos vão
desejar ser salvos por Cristo, mas não o serão por não fazerem
parte do Povo Eleito. Isso é pura tolice. É absolutamente
impossível alguém vir a Cristo e não ser salvo. Como diz o hino,
Jesus não chama os que desejam “em vão”. Talvez os Arminianos
acreditem que é possível ir a Cristo e ser rejeitado, porque para
eles, não basta ao homem vir a Cristo, também precisa ser santo o
bastante, ser sábio o bastante para, de fato, fazer valer os
benefícios da Cruz. Para o Calvinista dá-se justamente o contrário:
todos os que procuram verdadeiramente a Cristo, serão salvos, e
jamais se perderão. Para os Eleitos, o chamado de Cristo é sempre
eficaz, nunca em vão.
No
mundo real, ou seja, fora do mundo idealizado por alguns cristãos, o
homem pecador não quer Jesus, e nem pode ir a Cristo por livre
escolha. Morto em delitos e pecados, a Mensagem da Cruz é para o
homem natural como que loucura. Pouco importa que muitos teológos e
mesmo várias Igrejas pensem, o homem não escolhe Jesus, nem dá a
mínima para o Evangelho e Salvação por Ele revelada! Os homens
procuram, claro, alguma segurança, e os meios variados de salvação,
mas não procuram por Jesus!
Mas,
não é verdade que todos os homens com alguma crença querem escapar
do Inferno, ou de algo equivalente? Sim, porém, o fato de nenhum ser
humano desejar algo como o Inferno não implica que todos eles
desejem correr para os braços de Jesus. A própria Bíblia diz que
não: “... tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado,
como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem
entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se
fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nenhum sequer”
(Romanos 3:9-12).
Por
isso a Doutrina da Eleição deve encher a alma do cristão de
contentamento em Deus, e de louvor a Deus. Não tivesse o Pai nos
escolhido, estariamos caminhando para a perdição como qualquer
outro pecador. Sobre isso Jesus disse: “Ninguém pode vir a Mim,
se o Pai que Me enviou não o trouxer” (S. João 6:44).
Essas Palavras de Cristo destroem todos os sofismas daqueles que
consideram o homem capazes de escolher Jesus, sem a Eleição. Quem
pode ir a Cristo? A resposta do próprio Cristo é: “Ninguém
pode vir a Mim!”. Apenas a presunção daqueles que desejam a
todo custo defender a sagrada “liberdade humana” não se rende ao
significado óbvio e inescapável destas palavras. Agora, se ninguém
pode ir a Cristo, como os salvos O encontram? “Se o pai que me
enviou não os trouxer”. Depois da virgula, a Eleição! Soli
Deo Gloria!
Minha
sugestão para aqueles que não sabiam bem o que dizer com a pergunta
feita no título deste artigo é bem simples: radicalize, tanto na
pergunta, quanto na resposta. E se você, como eu, é um Calvinista,
não se amedronte! Ouse, como Cristo! A invés de perguntar como um
feirante: “se alguém quer, pode?”; faça a verdadeira
pergunta de um missionário: “quem vem a Cristo, será salvo?”.
E responda como Jesus: “Todo o que o Pai me dá virá a Mim; e o
que vem a Mim de maneira nenhuma o lancarei fora” (S. João
6:37).
“A
predestinação para a vida é o eterno propósito de Deus, pelo qual
(antes de lançados os fundamentos do mundo) tem constantemente
decretado por seu conselho, a nós oculto, livrar da maldição e
condenação os que elegeu em Cristo dentre o gênero humano, e
conduzi-los por Cristo à salvação eterna, como vasos feitos para a
honra. Por isso os que se acham dotados de um tão excelente
benefício de Deus, são chamados segundo o propósito de Deus, por
seu Espírito operando em tempo devido; pela graça obedecem à
vocação; são justificados gratuitamente; são feitos filhos de
Deus por adoção; são criados conforme à imagem de Seu Unigênito
Filho Jesus Cristo; vivem religiosamente em boas obras, e enfim
chegam, pela misericórdia de Deus, à felicidade eterna”
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Artigos de Religião; Artigo
XVII.
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