Imagem 1
Imagem 1
Formação Ministerial
Imagem 2
Discernimento Vocacional
Imagem 3
Residência Missionária
Imagem 4
Teologia Vocacional

Ser um Obrero Aprovado

“Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.”

2 Timóteo 2:15

Imagem

VOCÊ SABIA?

Os recursos que você investe em sua formação teologia e ministerial na Academia de Liderança da NAMS é integralmente revertido para a obra missionária no Brasil e na Ásia. Atualmente temos um posto avançado de plantadores de Igrejas no Brasil e apoiamos a formação de cerca de 200 obreiros em países da Ásia em regiões de maioria muçulmana. Você é parte dessa missão!

Saiba mais
Imagem

REVISTA BÁCULO

Com mais de 5 anos de existência, a Revista Báculo já é um marco importante da mídia evangélica no Brasil. Todos os meses, nossa revista proporciona ao leitor artigos, estudos, entrevistas e análises relevantes para a vida cristã e para o ministério. Aqui no site você tem acesso a todas as edições já publicadas.

Download
Imagem

VOCÊ SABIA?

Os recursos que você investe em sua formação teologia e ministerial na Academia de Liderança da NAMS é integralmente revertido para a obra missionária no Brasil e na Ásia. Atualmente temos um posto avançado de plantadores de Igrejas no Brasil e apoiamos a formação de cerca de 200 obreiros em países da Ásia em regiões de maioria muçulmana. Você é parte dessa missão!

Saiba mais

REVISTA BÁCULO

Com mais de 5 anos de existência, a Revistá Báculo já é um marco importante da mídia evangélica no Brasil. Todos os mêses, nossa revista proporciona ao leitor artigos, estudos, entrevistas e análises relevantes para a vida cristã e para o ministério. Aqui no site você tem acesso a todas as edições já publicadas.

Download
Imagem

Nosso Blog

Imagem

FORMAÇÃO MINISTERIAL

Ao estudar com a gente você apoia a obra missionária no Brasil e na Ásia e conta com um conteúdo de primeira qualidade! E você pode escolher quais módulos se encaixam melhor em sua formação teológica e ministerial. Além disso, ao completar os créditos educativos necessários você adquire o Diploma de Bacharel em Teologia chancelado pela New Anglican Missionary Society (NAMS)

Conheça
Imagem

DISCERNIMENTO VOCACIONAL

Nós ajudamos você a descobrir o chamado de Deus para a sua vida. E mais do que isso, te ajudamos a discernir como o chamado de Deus para o seu Ministério pessoal se conecta com o contextual atual da Igreja no mundo. Mais do que nunca, precisamos de pessoas comprometidas com o Evangelho denuíno no Brasil e no mundo. Seja parte da mudança.

Conheça
Imagem

RESIDÊNCIA MISSIONÁRIA

Nossa escola é chancelada pela New Anglican Missionary Society(NAMS), sediada na Carolina do Sul (EUA). Apoiamos a NAMS em suas iniciatias missionárias ao redor do mundo, como é o caso da Residência Missionária, um projeto ousado que possibilita estar a serviço da Igreja de Cristo em diversos locais do mundo.

Conheça
Imagem

TEOLOGIA VOCACIONAL

A Vocação Cristã não se limita aos dons ministeriais ou ao Ministério Ordenado. Na verdade, uma das grandes contribuições de Lutero para a teologia cristã foi uma visão bíblica da vocação, na qual cada pessoa, cada profissão e cada ato da Igreja no mundo é parte da missão do Deus Trinitariano na História. Esse curso irá transformar sua visão da vida e da vocação cristãs.

Conheça
Imagem

FORMAÇÃO MINISTERIAL

Ao estudar com a gente você apoia a obra missionária no Brasil e na Ásia e conta com um conteúdo de primeira qualidade! E você pode escolher quais módulos se encaixam melhor em sua formação teológica e ministerial. Além disso, ao completar os créditos educativos necessários você adquire o Diploma de Bacharel em Teologia chancelado pela New Anglican Missionary Society (NAMS)

Conheça

DISCERNIMENTO VOCACIONAL

Nós ajudamos você a descobrir o chamado de Deus para a sua vida. E mais do que isso, te ajudamos a discernir como o chamado de Deus para o seu Ministério pessoal se conecta com o contextual atual da Igreja no mundo. Mais do que nunca, precisamos de pessoas comprometidas com o Evangelho denuíno no Brasil e no mundo. Seja parte da mudança.

Conheça
Imagem

quarta-feira

Visita a Capela Nossa Senhora Aparecida em Vale do Sol



Marcelo Lemos

Aproveitando os últimos dias de férias numa pequena cidade mineira de nome S. Joaquim de Bicas, acabei convidado a participar de uma celebração eucarística na Capela Nossa Senhora Aparecida em Vale do Sol, uma pequena comunidade rural. Nesse texto compartilho algumas impressões gerais a respeito da liturgia da qual participamos numa Sexta-Feira, dia 21 de Julho de 2017.


Para chegarmos a pequena capela seguimos por uma estrada de terra empoeirada e cujas árvores laterais formavam como que um túnel sobre nossas cabeças. Ultrapassados apenas por uma velha Fiorino que nos envolveu numa nuvem de terra vermelha, caminhamos cerca de 10 minutos guardados por uma vira-latas de nome ‘Susy’ e guiados por um garotinho que ia iluminando nosso caminho com uma lanterna que de tanto piscar mais parecia um vaga-lume. Além de vigiar meus dois filhos na escuridão, também ajudava a carregar um caldeirão com caldo de mandioca que foi fartamente servido ao término da celebração.

Breve histórico da comunidade

Alguns anos atrás uma leiga de nome Alaíde mudou-se para essa pequena comunidade rural e percebeu que os católicos da região precisavam caminhar longos trajetos até a Igreja mais próxima; começou a visitar os moradores locais e realizou algumas grandes façanhas: um pequeno terreno e gente disposta a construir com o próprio trabalho e recursos pessoais a pequena e humilde capela que ilustra esse artigo.

Hoje a capela já pode contar com a visita semanal de um Ministro Ordenado, além de um ministro leigo totalmente dedicado as necessidades de seus membros. No dia da minha visita contei, por alto, 24 pessoas presentes. Um autêntico trabalho missionário que pode inspirar aqueles dentre nós, anglicanos reformados, que tem dedicado tantos esforços para anunciar o Evangelho da Paz.

Parêntese teológico

Por se tratar de uma liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana é natural que alguns elementos do culto destoe da teologia e da espiritualidade anglicanas. Primeiro pela presença de várias imagens dentro da capela; segundo por dois momentos nos quais houve invocação aos Santos, como na segunda parte do Ave Maria, na qual ocorre o pedido de intercessão a Virgem. Essa oração em si, sem o pedido de intercessão a Maria, é bíblica e está presente na liturgia anglicana, como por exemplo na Oração Vespertina, sob o nome de Magnificat.

Outro elemento da Missa que não tem lugar na liturgia anglicana é Epiclese, gesto feito pelo Ministro para que os elementos do Pão e do Vinho sejam transformados no Corpo e no Sangue de Cristo, milagre que a teologia romana denomina transubstanciação. Esse gesto faz com que as mãos do padre formem uma espécie de pomba, simbolizando a descida do Espírito Santo sobre os elementos. Se no Anglicanismo rejeitamos o erro daqueles que veem a Ceia apenas como um memorial e símbolo, também rejeitamos a ideia de que os elementos se transformem em algo diferente do pão e do vinho, mas aceitamos que Cristo está, de fato, presente nesses elementos, espiritualmente.

Sem querer minimizar tais questões, ouso dizer que é possível presenciar muitos cultos evangélicos com elementos supersticiosos tão ou ainda mais graves que estes (culto a personalidades, amuletos mágicos como lenços, rosas etc).

A liturgia

A liturgia na Capela foi como era de se esperar: bem fiel ao rito latino e com músicas já bem conhecidas do Hinário da CNBB. Um detalhe que já me havia sido adiantado por um dos presentes era sobre o padre tocar viola e cantar. “Esse padre é do povão”, foram as palavras a mim ditas. E de fato, o padre cantou e tocou todas as músicas, inclusive o Sanctus e o Kyrie Eleison (todos na versão moderna da CNBB). O desempenho do padre, contudo, não prejudicou o clima da liturgia, que foi um pouco mais solene do que esperávamos, e isso foi uma surpresa pra lá de agradável.

Como de praxe, a liturgia começou com a Acolhida e com os Ritos Iniciais. Aqui um senhor da comunidade explicou o tempo litúrgico, apresentou os visitantes e deu alguns breves avisos. Durante esse tempo foi solicitado, pelo padre, que cada fiel presente, inclusive crianças e visitantes, apresentasse a Deus uma intenção; depois de cada intenção a comunidade repete: “Senhor, nós vos pedimos!”. Difícil dar razão àqueles que acreditam que um culto litúrgico, como é o Rito Romano, precise ser, necessariamente, engessado e com ‘rezas’ decoradas e repetitivas.

Imediatamente após estas coisas teve inicio a chamada Liturgia da Palavra. O rito romano pós-conciliar (Vaticano II) passou a dar muita ênfase a Liturgia da Palavra, que funciona como uma primeira parte da Missa. Pessoalmente coloco essa mudança no crédito da Reforma Protestante, que em 2017 comemora 500 anos. As leituras bíblicas, três no total, foram feitas a partir de um Púlpito localizado na lateral esquerda da Mesa, sendo que tanto um quanto o outro estavam completamente cobertos pela cor verde – cor apropriada para o tempo litúrgico da ocasião, como já explicamos sobre a visita a Igreja Luterana Bom Pastor (leia o artigo para maisdetalhes).

O Evangelho, como sempre, foi lido pelo Ministro, que entregou seu sermão da própria mesa. Não sei se pelo espaço reduzido, um segundo Púlpito para a pregação, infelizmente, não havia. Essa ausência de um Púlpito para o pregador tem sido muito comum nas Igrejas Romanas, de modo que os padres geralmente pregam diretamente da Mesa. Tirando isso o Sermão foi surpreendentemente bíblico, e sem as 'garrinhas' da Teologia da Libertação, como já presenciamos inúmeras vezes. E o padre soube relacionar claramente a situação dos judeus e dos primeiros cristãos com a vida da comunidade rural que o escutava. Nota máxima.

Destaque especial para a proclamação dos Salmos realizada por uma salmista leiga da própria comunidade: a dona Alaíde, a mesma que deu inicio a história da capelinha. Ela, mesmo não sendo musicista, cantou cada estrofe do Salmo do dia de modo firme, harmônico e solene, seguida pela assembleia que repetia um dos versos como que um refrão. Bonito, simples, e muito edificante.

No dia seguinte a salmista me confidenciou, durante um almoço em sua casa, que alguns sitiantes da região, membros da Assembleia de Deus e da Congregação Cristã, a haviam ajudado, tempos atrás, a musicar alguns dos salmos que ela agora canta na capela. Me atrevi, então, a musicar mais dois Salmos para ela – que os usa na Tradução Ave Maria, Ed. Santuário (uma tradução maravilhosamente musical). Silenciosamente agradeci por todas as vezes que visitei o Mosteiro São Bento em São Paulo, onde tive meu primeiro contato com esse estilo de música mais voltado para o gregoriano. Feliz, me confidenciou ter ficado muito interessada em conhecer a liturgia anglicana. Talvez a história da D. Alaíde como salmista seja um exemplo despretensioso e não-intencional de esforço ecumênico entre três tradições bem diferentes entre si (pentecostais, romanos e anglicanos).

A respeito da Liturgia Eucarística o ponto mais importante a destacar foi a comunhão realizada nas duas espécies, Pão e Vinho. Um destaque justo, visto que geralmente o Rito Romano permite a comunhão apenas do Pão, ficando o Vinho restrito ao celebrante – segundo a teologia romana o Pão se transforma literalmente em carne, logo, o sangue já está presente nele, tornando o Vinho opcional. Quando o padre fez o anuncio notei que o Ministro da Eucaristia, um leigo provavelmente octogenário, pediu algumas orientações, mas tudo transcorreu na mais perfeita ordem.

Um momento descontraído da celebração ocorreu logo após a Comunhão, quando o padre deixou a cargo da comunidade a oração “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo...”. O problema é que a comunidade ‘travou’, e apenas um senhor conseguiu dar seguimento a oração, trocando porém a ordem das frases, ao que o padre interveio para riso geral da assembleia: “Não tem problema meu querido, o significado é o mesmo!”.

Aliás, um esboço de toda a liturgia foi entregue a cada fiel, manuscrita em folhas A4 já desgastadas pelo uso. Infelizmente, na copia que me entregaram faltava uma estrofe de um dos hinos. O manuscrito estava em letra simples mas legível e com pequenos erros de ortografia. Observei também que em cada página do manuscrito alguém se deu ao trabalho de rubricar, como que validando o seu conteúdo, mas esqueci de investigar a respeito e não sei dizer se a assinatura é do padre, do ministro da eucaristia ou de outro.

Conclusão

Como que adivinhando que não sou fã de caldos, especialmente de mandioca, havia também no Ágape após o culto uma mesa repleta de chás, café, pão de queijo e bolos variados. Só por isso eu já voltaria outras vezes a esta capela, é claro.

Brincadeira a parte, foi uma ótima experiência, apesar da necessidade de apontar alguns desacordos teológicos com o rito romano. E o que de mais valioso levamos de nossa visita a capela talvez não tenha sido a Liturgia em si, mas provavelmente sua história maravilhosamente edificante. E também o sermão. Que Deus nos conceda, anglicanos reformados, missionários e missionárias de valor, tanto entre nossos ministros quanto entre todos os fiéis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário, teremos prazer de publicar sua opinião, e se preciso, responder. Envie-nos sugestoes, ou perguntas a respeito da Igreja Anglicana Reformada do Brasil, e da Free Church Of England.

Conteúdo Secundário

Imagem

RESIDÊNCIA MISSIONÁRIA

Nossa escola é chancelada pela New Anglican Missionary Society(NAMS), sediada na Carolina do Sul (EUA). Apoiamos a NAMS em suas iniciatias missionárias ao redor do mundo, como é o caso da Residência Missionária, um projeto ousado que possibilita estar a serviço da Igreja de Cristo em diversos locais do mundo.

Conheça

TEOLOGIA VOCACIONAL

A Vocação Cristã não se limita aos dons ministeriais ou ao Ministério Ordenado. Na verdade, uma das grandes contribuições de Lutero para a teologia cristã foi uma visão bíblica da vocação, na qual cada pessoa, cada profissão e cada ato da Igreja no mundo é parte da missão do Deus Trinitariano na História. Esse curso irá transformar sua visão da vida e da vocação cristãs.

Conheça
Imagem

quarta-feira

Visita a Capela Nossa Senhora Aparecida em Vale do Sol



Marcelo Lemos

Aproveitando os últimos dias de férias numa pequena cidade mineira de nome S. Joaquim de Bicas, acabei convidado a participar de uma celebração eucarística na Capela Nossa Senhora Aparecida em Vale do Sol, uma pequena comunidade rural. Nesse texto compartilho algumas impressões gerais a respeito da liturgia da qual participamos numa Sexta-Feira, dia 21 de Julho de 2017.


Para chegarmos a pequena capela seguimos por uma estrada de terra empoeirada e cujas árvores laterais formavam como que um túnel sobre nossas cabeças. Ultrapassados apenas por uma velha Fiorino que nos envolveu numa nuvem de terra vermelha, caminhamos cerca de 10 minutos guardados por uma vira-latas de nome ‘Susy’ e guiados por um garotinho que ia iluminando nosso caminho com uma lanterna que de tanto piscar mais parecia um vaga-lume. Além de vigiar meus dois filhos na escuridão, também ajudava a carregar um caldeirão com caldo de mandioca que foi fartamente servido ao término da celebração.

Breve histórico da comunidade

Alguns anos atrás uma leiga de nome Alaíde mudou-se para essa pequena comunidade rural e percebeu que os católicos da região precisavam caminhar longos trajetos até a Igreja mais próxima; começou a visitar os moradores locais e realizou algumas grandes façanhas: um pequeno terreno e gente disposta a construir com o próprio trabalho e recursos pessoais a pequena e humilde capela que ilustra esse artigo.

Hoje a capela já pode contar com a visita semanal de um Ministro Ordenado, além de um ministro leigo totalmente dedicado as necessidades de seus membros. No dia da minha visita contei, por alto, 24 pessoas presentes. Um autêntico trabalho missionário que pode inspirar aqueles dentre nós, anglicanos reformados, que tem dedicado tantos esforços para anunciar o Evangelho da Paz.

Parêntese teológico

Por se tratar de uma liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana é natural que alguns elementos do culto destoe da teologia e da espiritualidade anglicanas. Primeiro pela presença de várias imagens dentro da capela; segundo por dois momentos nos quais houve invocação aos Santos, como na segunda parte do Ave Maria, na qual ocorre o pedido de intercessão a Virgem. Essa oração em si, sem o pedido de intercessão a Maria, é bíblica e está presente na liturgia anglicana, como por exemplo na Oração Vespertina, sob o nome de Magnificat.

Outro elemento da Missa que não tem lugar na liturgia anglicana é Epiclese, gesto feito pelo Ministro para que os elementos do Pão e do Vinho sejam transformados no Corpo e no Sangue de Cristo, milagre que a teologia romana denomina transubstanciação. Esse gesto faz com que as mãos do padre formem uma espécie de pomba, simbolizando a descida do Espírito Santo sobre os elementos. Se no Anglicanismo rejeitamos o erro daqueles que veem a Ceia apenas como um memorial e símbolo, também rejeitamos a ideia de que os elementos se transformem em algo diferente do pão e do vinho, mas aceitamos que Cristo está, de fato, presente nesses elementos, espiritualmente.

Sem querer minimizar tais questões, ouso dizer que é possível presenciar muitos cultos evangélicos com elementos supersticiosos tão ou ainda mais graves que estes (culto a personalidades, amuletos mágicos como lenços, rosas etc).

A liturgia

A liturgia na Capela foi como era de se esperar: bem fiel ao rito latino e com músicas já bem conhecidas do Hinário da CNBB. Um detalhe que já me havia sido adiantado por um dos presentes era sobre o padre tocar viola e cantar. “Esse padre é do povão”, foram as palavras a mim ditas. E de fato, o padre cantou e tocou todas as músicas, inclusive o Sanctus e o Kyrie Eleison (todos na versão moderna da CNBB). O desempenho do padre, contudo, não prejudicou o clima da liturgia, que foi um pouco mais solene do que esperávamos, e isso foi uma surpresa pra lá de agradável.

Como de praxe, a liturgia começou com a Acolhida e com os Ritos Iniciais. Aqui um senhor da comunidade explicou o tempo litúrgico, apresentou os visitantes e deu alguns breves avisos. Durante esse tempo foi solicitado, pelo padre, que cada fiel presente, inclusive crianças e visitantes, apresentasse a Deus uma intenção; depois de cada intenção a comunidade repete: “Senhor, nós vos pedimos!”. Difícil dar razão àqueles que acreditam que um culto litúrgico, como é o Rito Romano, precise ser, necessariamente, engessado e com ‘rezas’ decoradas e repetitivas.

Imediatamente após estas coisas teve inicio a chamada Liturgia da Palavra. O rito romano pós-conciliar (Vaticano II) passou a dar muita ênfase a Liturgia da Palavra, que funciona como uma primeira parte da Missa. Pessoalmente coloco essa mudança no crédito da Reforma Protestante, que em 2017 comemora 500 anos. As leituras bíblicas, três no total, foram feitas a partir de um Púlpito localizado na lateral esquerda da Mesa, sendo que tanto um quanto o outro estavam completamente cobertos pela cor verde – cor apropriada para o tempo litúrgico da ocasião, como já explicamos sobre a visita a Igreja Luterana Bom Pastor (leia o artigo para maisdetalhes).

O Evangelho, como sempre, foi lido pelo Ministro, que entregou seu sermão da própria mesa. Não sei se pelo espaço reduzido, um segundo Púlpito para a pregação, infelizmente, não havia. Essa ausência de um Púlpito para o pregador tem sido muito comum nas Igrejas Romanas, de modo que os padres geralmente pregam diretamente da Mesa. Tirando isso o Sermão foi surpreendentemente bíblico, e sem as 'garrinhas' da Teologia da Libertação, como já presenciamos inúmeras vezes. E o padre soube relacionar claramente a situação dos judeus e dos primeiros cristãos com a vida da comunidade rural que o escutava. Nota máxima.

Destaque especial para a proclamação dos Salmos realizada por uma salmista leiga da própria comunidade: a dona Alaíde, a mesma que deu inicio a história da capelinha. Ela, mesmo não sendo musicista, cantou cada estrofe do Salmo do dia de modo firme, harmônico e solene, seguida pela assembleia que repetia um dos versos como que um refrão. Bonito, simples, e muito edificante.

No dia seguinte a salmista me confidenciou, durante um almoço em sua casa, que alguns sitiantes da região, membros da Assembleia de Deus e da Congregação Cristã, a haviam ajudado, tempos atrás, a musicar alguns dos salmos que ela agora canta na capela. Me atrevi, então, a musicar mais dois Salmos para ela – que os usa na Tradução Ave Maria, Ed. Santuário (uma tradução maravilhosamente musical). Silenciosamente agradeci por todas as vezes que visitei o Mosteiro São Bento em São Paulo, onde tive meu primeiro contato com esse estilo de música mais voltado para o gregoriano. Feliz, me confidenciou ter ficado muito interessada em conhecer a liturgia anglicana. Talvez a história da D. Alaíde como salmista seja um exemplo despretensioso e não-intencional de esforço ecumênico entre três tradições bem diferentes entre si (pentecostais, romanos e anglicanos).

A respeito da Liturgia Eucarística o ponto mais importante a destacar foi a comunhão realizada nas duas espécies, Pão e Vinho. Um destaque justo, visto que geralmente o Rito Romano permite a comunhão apenas do Pão, ficando o Vinho restrito ao celebrante – segundo a teologia romana o Pão se transforma literalmente em carne, logo, o sangue já está presente nele, tornando o Vinho opcional. Quando o padre fez o anuncio notei que o Ministro da Eucaristia, um leigo provavelmente octogenário, pediu algumas orientações, mas tudo transcorreu na mais perfeita ordem.

Um momento descontraído da celebração ocorreu logo após a Comunhão, quando o padre deixou a cargo da comunidade a oração “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo...”. O problema é que a comunidade ‘travou’, e apenas um senhor conseguiu dar seguimento a oração, trocando porém a ordem das frases, ao que o padre interveio para riso geral da assembleia: “Não tem problema meu querido, o significado é o mesmo!”.

Aliás, um esboço de toda a liturgia foi entregue a cada fiel, manuscrita em folhas A4 já desgastadas pelo uso. Infelizmente, na copia que me entregaram faltava uma estrofe de um dos hinos. O manuscrito estava em letra simples mas legível e com pequenos erros de ortografia. Observei também que em cada página do manuscrito alguém se deu ao trabalho de rubricar, como que validando o seu conteúdo, mas esqueci de investigar a respeito e não sei dizer se a assinatura é do padre, do ministro da eucaristia ou de outro.

Conclusão

Como que adivinhando que não sou fã de caldos, especialmente de mandioca, havia também no Ágape após o culto uma mesa repleta de chás, café, pão de queijo e bolos variados. Só por isso eu já voltaria outras vezes a esta capela, é claro.

Brincadeira a parte, foi uma ótima experiência, apesar da necessidade de apontar alguns desacordos teológicos com o rito romano. E o que de mais valioso levamos de nossa visita a capela talvez não tenha sido a Liturgia em si, mas provavelmente sua história maravilhosamente edificante. E também o sermão. Que Deus nos conceda, anglicanos reformados, missionários e missionárias de valor, tanto entre nossos ministros quanto entre todos os fiéis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário, teremos prazer de publicar sua opinião, e se preciso, responder. Envie-nos sugestoes, ou perguntas a respeito da Igreja Anglicana Reformada do Brasil, e da Free Church Of England.

Total Pageviews

História, Liturgia e Espiritualidade.

Category List

Labels

Blogroll

About

Blogger templates

Formulário de contato

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Olhar Anglicano

História, Liturgia e Espiritualidade.

Pesquisar este blog

Tecnologia do Blogger.

Arquivo Anual


Aviso Legal

Baseado nas garantias fundamentais da Constituição Federal (1988), esse blog vale-se do direito de liberdade de expressão, cuidando para não ferir, sob qualquer pretexto, os direitos de outrem.

O conteúdo aqui publicado pode ser reproduzido livremente, desde que seu uso não tenha fins comerciais.

Series Especiais

Autores

Marcelo Lemos, presbítero da FCE/IARB, é o editor principal do blog e publicamos artigos de diversos autores, inclusive de outras tradições cristãs, desde que condizentes com a linha editorial e teológica que adotamos.

Caso tenha interesse em ter seu texto publicado, favor contactar o editor.

Denunciar abuso

Artigos Mais lidos

Páginas

quarta-feira

Visita a Capela Nossa Senhora Aparecida em Vale do Sol



Marcelo Lemos

Aproveitando os últimos dias de férias numa pequena cidade mineira de nome S. Joaquim de Bicas, acabei convidado a participar de uma celebração eucarística na Capela Nossa Senhora Aparecida em Vale do Sol, uma pequena comunidade rural. Nesse texto compartilho algumas impressões gerais a respeito da liturgia da qual participamos numa Sexta-Feira, dia 21 de Julho de 2017.


Para chegarmos a pequena capela seguimos por uma estrada de terra empoeirada e cujas árvores laterais formavam como que um túnel sobre nossas cabeças. Ultrapassados apenas por uma velha Fiorino que nos envolveu numa nuvem de terra vermelha, caminhamos cerca de 10 minutos guardados por uma vira-latas de nome ‘Susy’ e guiados por um garotinho que ia iluminando nosso caminho com uma lanterna que de tanto piscar mais parecia um vaga-lume. Além de vigiar meus dois filhos na escuridão, também ajudava a carregar um caldeirão com caldo de mandioca que foi fartamente servido ao término da celebração.

Breve histórico da comunidade

Alguns anos atrás uma leiga de nome Alaíde mudou-se para essa pequena comunidade rural e percebeu que os católicos da região precisavam caminhar longos trajetos até a Igreja mais próxima; começou a visitar os moradores locais e realizou algumas grandes façanhas: um pequeno terreno e gente disposta a construir com o próprio trabalho e recursos pessoais a pequena e humilde capela que ilustra esse artigo.

Hoje a capela já pode contar com a visita semanal de um Ministro Ordenado, além de um ministro leigo totalmente dedicado as necessidades de seus membros. No dia da minha visita contei, por alto, 24 pessoas presentes. Um autêntico trabalho missionário que pode inspirar aqueles dentre nós, anglicanos reformados, que tem dedicado tantos esforços para anunciar o Evangelho da Paz.

Parêntese teológico

Por se tratar de uma liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana é natural que alguns elementos do culto destoe da teologia e da espiritualidade anglicanas. Primeiro pela presença de várias imagens dentro da capela; segundo por dois momentos nos quais houve invocação aos Santos, como na segunda parte do Ave Maria, na qual ocorre o pedido de intercessão a Virgem. Essa oração em si, sem o pedido de intercessão a Maria, é bíblica e está presente na liturgia anglicana, como por exemplo na Oração Vespertina, sob o nome de Magnificat.

Outro elemento da Missa que não tem lugar na liturgia anglicana é Epiclese, gesto feito pelo Ministro para que os elementos do Pão e do Vinho sejam transformados no Corpo e no Sangue de Cristo, milagre que a teologia romana denomina transubstanciação. Esse gesto faz com que as mãos do padre formem uma espécie de pomba, simbolizando a descida do Espírito Santo sobre os elementos. Se no Anglicanismo rejeitamos o erro daqueles que veem a Ceia apenas como um memorial e símbolo, também rejeitamos a ideia de que os elementos se transformem em algo diferente do pão e do vinho, mas aceitamos que Cristo está, de fato, presente nesses elementos, espiritualmente.

Sem querer minimizar tais questões, ouso dizer que é possível presenciar muitos cultos evangélicos com elementos supersticiosos tão ou ainda mais graves que estes (culto a personalidades, amuletos mágicos como lenços, rosas etc).

A liturgia

A liturgia na Capela foi como era de se esperar: bem fiel ao rito latino e com músicas já bem conhecidas do Hinário da CNBB. Um detalhe que já me havia sido adiantado por um dos presentes era sobre o padre tocar viola e cantar. “Esse padre é do povão”, foram as palavras a mim ditas. E de fato, o padre cantou e tocou todas as músicas, inclusive o Sanctus e o Kyrie Eleison (todos na versão moderna da CNBB). O desempenho do padre, contudo, não prejudicou o clima da liturgia, que foi um pouco mais solene do que esperávamos, e isso foi uma surpresa pra lá de agradável.

Como de praxe, a liturgia começou com a Acolhida e com os Ritos Iniciais. Aqui um senhor da comunidade explicou o tempo litúrgico, apresentou os visitantes e deu alguns breves avisos. Durante esse tempo foi solicitado, pelo padre, que cada fiel presente, inclusive crianças e visitantes, apresentasse a Deus uma intenção; depois de cada intenção a comunidade repete: “Senhor, nós vos pedimos!”. Difícil dar razão àqueles que acreditam que um culto litúrgico, como é o Rito Romano, precise ser, necessariamente, engessado e com ‘rezas’ decoradas e repetitivas.

Imediatamente após estas coisas teve inicio a chamada Liturgia da Palavra. O rito romano pós-conciliar (Vaticano II) passou a dar muita ênfase a Liturgia da Palavra, que funciona como uma primeira parte da Missa. Pessoalmente coloco essa mudança no crédito da Reforma Protestante, que em 2017 comemora 500 anos. As leituras bíblicas, três no total, foram feitas a partir de um Púlpito localizado na lateral esquerda da Mesa, sendo que tanto um quanto o outro estavam completamente cobertos pela cor verde – cor apropriada para o tempo litúrgico da ocasião, como já explicamos sobre a visita a Igreja Luterana Bom Pastor (leia o artigo para maisdetalhes).

O Evangelho, como sempre, foi lido pelo Ministro, que entregou seu sermão da própria mesa. Não sei se pelo espaço reduzido, um segundo Púlpito para a pregação, infelizmente, não havia. Essa ausência de um Púlpito para o pregador tem sido muito comum nas Igrejas Romanas, de modo que os padres geralmente pregam diretamente da Mesa. Tirando isso o Sermão foi surpreendentemente bíblico, e sem as 'garrinhas' da Teologia da Libertação, como já presenciamos inúmeras vezes. E o padre soube relacionar claramente a situação dos judeus e dos primeiros cristãos com a vida da comunidade rural que o escutava. Nota máxima.

Destaque especial para a proclamação dos Salmos realizada por uma salmista leiga da própria comunidade: a dona Alaíde, a mesma que deu inicio a história da capelinha. Ela, mesmo não sendo musicista, cantou cada estrofe do Salmo do dia de modo firme, harmônico e solene, seguida pela assembleia que repetia um dos versos como que um refrão. Bonito, simples, e muito edificante.

No dia seguinte a salmista me confidenciou, durante um almoço em sua casa, que alguns sitiantes da região, membros da Assembleia de Deus e da Congregação Cristã, a haviam ajudado, tempos atrás, a musicar alguns dos salmos que ela agora canta na capela. Me atrevi, então, a musicar mais dois Salmos para ela – que os usa na Tradução Ave Maria, Ed. Santuário (uma tradução maravilhosamente musical). Silenciosamente agradeci por todas as vezes que visitei o Mosteiro São Bento em São Paulo, onde tive meu primeiro contato com esse estilo de música mais voltado para o gregoriano. Feliz, me confidenciou ter ficado muito interessada em conhecer a liturgia anglicana. Talvez a história da D. Alaíde como salmista seja um exemplo despretensioso e não-intencional de esforço ecumênico entre três tradições bem diferentes entre si (pentecostais, romanos e anglicanos).

A respeito da Liturgia Eucarística o ponto mais importante a destacar foi a comunhão realizada nas duas espécies, Pão e Vinho. Um destaque justo, visto que geralmente o Rito Romano permite a comunhão apenas do Pão, ficando o Vinho restrito ao celebrante – segundo a teologia romana o Pão se transforma literalmente em carne, logo, o sangue já está presente nele, tornando o Vinho opcional. Quando o padre fez o anuncio notei que o Ministro da Eucaristia, um leigo provavelmente octogenário, pediu algumas orientações, mas tudo transcorreu na mais perfeita ordem.

Um momento descontraído da celebração ocorreu logo após a Comunhão, quando o padre deixou a cargo da comunidade a oração “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo...”. O problema é que a comunidade ‘travou’, e apenas um senhor conseguiu dar seguimento a oração, trocando porém a ordem das frases, ao que o padre interveio para riso geral da assembleia: “Não tem problema meu querido, o significado é o mesmo!”.

Aliás, um esboço de toda a liturgia foi entregue a cada fiel, manuscrita em folhas A4 já desgastadas pelo uso. Infelizmente, na copia que me entregaram faltava uma estrofe de um dos hinos. O manuscrito estava em letra simples mas legível e com pequenos erros de ortografia. Observei também que em cada página do manuscrito alguém se deu ao trabalho de rubricar, como que validando o seu conteúdo, mas esqueci de investigar a respeito e não sei dizer se a assinatura é do padre, do ministro da eucaristia ou de outro.

Conclusão

Como que adivinhando que não sou fã de caldos, especialmente de mandioca, havia também no Ágape após o culto uma mesa repleta de chás, café, pão de queijo e bolos variados. Só por isso eu já voltaria outras vezes a esta capela, é claro.

Brincadeira a parte, foi uma ótima experiência, apesar da necessidade de apontar alguns desacordos teológicos com o rito romano. E o que de mais valioso levamos de nossa visita a capela talvez não tenha sido a Liturgia em si, mas provavelmente sua história maravilhosamente edificante. E também o sermão. Que Deus nos conceda, anglicanos reformados, missionários e missionárias de valor, tanto entre nossos ministros quanto entre todos os fiéis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário, teremos prazer de publicar sua opinião, e se preciso, responder. Envie-nos sugestoes, ou perguntas a respeito da Igreja Anglicana Reformada do Brasil, e da Free Church Of England.

Visita a Capela Nossa Senhora Aparecida em Vale do Sol

Marcelo Lemos Aproveitando os últimos dias de férias numa pequena cidade mineira de nome S. Joaquim de Bicas, acabei...

NAMS | Academia de Liderança