Introdução:
Todos os grandes imperadores procuravam
estabelecer e deixar a sua marca em seu império. Esta marca poderia ser a
construção de uma cidade, o aumento do domínio territorial, o
enriquecimento da capital do império, o domínio cultural sobre os povos
reprimidos, etc. Desde Alexandre o Grande, até Adolf Hitler, passando
por Napoleão Bonaparte, todos os grandes líderes e dominadores
procuraram deixar sua marca. No entanto, nenhum deles pode apontar para a
mesma marca estabelecida pelo grande Rei Jesus.
Elucidação:
Este capítulo dá início à segunda parte
do livro de Zacarias. A realidade histórica é visivelmente diferente.
Para muitos estudiosos, estamos diante do período de expansão do
helenismo e sob o governo de Alexandre o Grande, que atuou na segunda
metade do século IV a.C. As ênfases encontradas nessa segunda parte são
bem peculiares. As palavras “vitória”, “libertação” e “redenção” estão
bem presentes aqui. É nesse ambiente que o capítulo 9 principia falando
do castigo de Deus sobre diversos povos, para, em seguida, apresentar a
vinda do Rei de Jerusalém. Com base nesse texto, acreditamos ser
possível apresentar, pelo menos três grandes verdades sobre o Reino do
Rei que está para ser estabelecido. Pensando nisso, propomos como tema
para nossa reflexão o tema: Os elementos do reino de Deus.
I. Este será um Reino cujo Rei é marcado pela humildade (v.9).
- Ele é apresentado como um Rei que terá poder. As duas palavras que revelam esse poder são “justo” e “salvador”. É importante registrar que ser justo (tsadiq)
não significa ter uma característica estática. Este adjetivo aponta
para um aspecto virtuoso, em relação à moral e à ética. J.G. Baldwin nos
diz que “em cada passagem se vê a justiça na atividade do rei,
governando, julgando, incentivando o que é certo”. Sua justiça o
legitima para ser “salvador”.
Por ter a capacidade de salvar Jerusalém e trazer alegria e exultação
para as filhas de Sião, este Rei é caracterizado por ter poder e por
exercitá-lo. Ademais, seu caráter justo se imporá frente aos reinos que
dominaram e exploraram o povo de Deus. Charles Feinberg nos diz que “as
nações tremiam com a aproximação de Alexandre, mas o povo de Israel
recebe ordens de alegrar-se muito na presença do Rei Messias, pois ele
vem não só para eles, mas por eles, para seu benefício e salvação”. O
poder do Rei Messias é infinitamente maior do que o de qualquer outro
grande conquistador.
- Mas, sua maior marca é sua humildade. Ele, chamado aqui de “pobre” (‘ani),
ou seja, de manso ou humilde. Em razão disso, o texto diz que ele “vem
montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta”. Esta passagem é
expressamente citada por Mateus e João, para mostrar que em Jesus – o
Messias -, encontramos aquele que está investido, simultaneamente, de
poder e de humildade. Os grandes generais ou imperadores, sempre eram
vistos montados em seus cavalos, animais associados à guerra. Mas o
grande Rei Jesus aparece montado em um jumentinho. Sobre isso, Joyce G.
Baldwin nos lembra que “o jumento era a montaria ideal para alguém que
vinha em missão de paz”.
Aplicação:
No texto do Evangelho de Mateus 11:25-30,
vemos nosso Senhor Jesus Cristo agradecer ao Pai por se revelar aos
pequeninos e não aos sábios e instruídos. Para estes que são descritos
como “cansados” e “sobrecarregados”, Jesus conclama: “vinde a mim” pois
“eu vos aliviarei”. Aquele que se apresenta como “manso e humilde de
coração”, promete que nele, todos poderão encontrar descanso para suas
almas. Aquele que é o Rei pobre e humilde exige de todos nós a mesma
atitude. É preciso abandonar a arrogância, reconhecer os erros e buscar o
perdão do Senhor.
Trecho de sermão publicado originalmente no blog do autor. Reproduzido com autorização.
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