Iremos analisar brevemente os principais ensinos a respeito de Jesus - sua Natureza - que encontramos em nossos "39 Artigos da Religião".
Cristo, Deus Trino
Os "39 Artigos" começam com uma afirmação contundente, e clara, quanto a Doutrina da Santíssima Trindade. A Igreja tem crido que, fora de tal doutrina, sequer existe Cristianismo. Mórmons, Testemunhas de Jeová, Unicistas, dentre outros, não são cristãos. Os credos de Atanásio e de Niceia nos dão testemunho fidedigno da fé trinitária. E o mesmo fazem os anglicanos:
"Há um único Deus, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, sem partes nem paixões, de infinito poder, sabedoria e bondade; Criador e Conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três Pessoas, da mesma substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo" - Artigo I.
Ensinamos, cremos, e confessamos que existe um Único Deus, em Quem subsiste eternamente três pessoas: o Pai, o Filho e o Espirito Santo. E ainda que o termo Trindade não apareça em qualquer lugar das Escrituras, a doutrina que ele define pode ser claramente deduzida do Livro, ainda que não desejamos tratar largamente o tema neste artigo. Importante, contudo, que demonstremos como a linguagem das Escrituras dão suporte a este ensino. Faremos isso no próximo tópico.
Cristo, Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus
Ha em Cristo duas naturezas, a humana e a Divina. Ao longo do tempo varias heresias tentaram 'explicar' a real natureza de Cristo, por julgarem o ensino do Novo Testamento, ora incompreensível ao intelecto, ora contrario as filosofias adotadas por uns e outros.
Houve quem propôs que Cristo não era, de fato, humano, mas apenas uma 'aparência' de homem. Para outros, Cristo era humano, mas não Divino, como Deus. Aceitariam a afirmação de que Cristo foi criado com algum grau menor de divindade. E assim por diante. Houve varias tentativas que vão na contramão do que a Igreja tem crido e ensinado sobre a verdadeira Natureza do Cristo.
"O Filho, que é o Verbo do Pai, gerado ab aeterno do Pai, verdadeiro e sempiterno Deus, e consubstancial com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita Virgem e da Sua substância; de sorte que as duas inteiras e perfeitas Naturezas, isto é, Divina e Humana, se reuniram em uma Pessoa, para nunca mais se separarem, das quais resultou Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem..." - Artigo II.
Jesus "encarnou-se", nascendo do ventre de uma mulher, a Virgem Maria. Ele poderia ter descido dos céus, sem passar pelo processo do nascimento, mas não foi isso o que fez, antes, tomou sobre Si a nossa humanidade.
Gerado no ventre de uma mulher, nasceu como homem. Depois de nascer, teve uma vida normal, viveu como criança e foi educado por seus pais. Ele não era um pequeno Hércules, mas um humano de fato. Ele teve fome e sede, sentiu tristeza e padeceu tentações.
"E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar a luz. E deu a luz a seu filho primogenito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque nao havia lugar para eles na estalagem" (S. Lucas 2: 6-7).
"Entao Jesus foi conduzido pelo Espirito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome..." ( S. Mateus 4:1-2).
"Depois, sabendo Jesus que ja todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede" (S. Joao 19: 28).
"E estava ali a fonte de Jaco. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isso quase a hora sexta. Veio uma mulher de Samaria tirar agua. Disse-lhe Jesus: Da-me de beber" (S. Joao 4: 6-7).
"No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (S. Joao 1: 1).
"Eu e o Pai somos um.... Os judeus responderam, dizendo-lhe: Nao te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo" (S. Joao 10: 30-44).
"Disse Pilatos: Tomai-o vos, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele. Responderam-lhe os judeus: Nos temos uma Lei e, segundo a nossa Lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus. E Pilatos ao ouvir esta palavra, mais atemorizado ficou" (S. Joao 19: 6-8).
Ser "filho" significava, na mentalidade oriental, ser "igual", porque Pai e Filho compartilham a mesma natureza: tudo aquilo que o pai eh o filho também. Isso explica a revolta dos Judeus, e o medo que se apossou do coração de Pilatos. Para os judeus era uma blasfêmia, punível com a morte. Se os judeus estavam certos, ou seja, se Jesus era apenas um homem se passando por Deus, então, a morte de Jesus foi justa - a própria Lei de Deus ordenava sua morte. Assim, a unica forma de dizer que os judeus eraram em seu julgamento eh admitindo que Jesus, de fato, eh Deus.
"Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tome: Poe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e poe-na no meu lado; e não seja incrédulo, mas crente. E Tome respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu" (S. João 20: 26-18).
Muitas outras provas bíblicas poderíamos dar em suporte a Doutrina da Igreja, que nos anglicanismo seguimos fielmente. Mais ainda temos outros temas a tratar nos próximos artigos. Na sequencia falaremos a respeito da Obra de Cristo.
[2] "Joseph Smith, profeta e fundador de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, também conhecida como Igreja Mórmon, escreveu: “Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo” (Regras de fé 1:1). Cada um desses Seres é um Deus distinto, os quais as ações cooperativas e a união de propósito uns com o outros constituem a união da Santa Trindade. Eles trabalham como um, mas ainda assim Eles são seres distintos e separados" [Fonte: http://igrejamormon.org/crencas_mormon_trindade]

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