Rev. Marcelo Lemos
Estamos estudando as principais doutrinas da Igreja como as encontramos em nossos 39 Artigos da Religião. No nosso estudo de hoje falaremos a respeito da Ressurreição de Nosso Senhor.
Atestando a catolicidade de nossa fé, juntamente com toda a Igreja de Cristo confessamos que "Cristo verdadeiramente ressurgiu dos mortos e tomou de novo seu corpo, com carne, ossos e tudo o mais pertencentes a perfeição da natureza humana; com o que subiu ao Céu, e la esta assentado, ate que volte para julgar todos os homens, no derradeiro dia" (Artigo IV).
Desde os tempos apostólicos havia quem colocasse em duvida o fato da Ressurreição de Cristo. Isso levou a Igreja, especialmente com S. Paulo, a travar uma luta incessante em defesa desse dogma, afinal de contas, a fé da 'nova religião' deixaria de ter qualquer sentido se Cristo não houvera ressuscitado.
De fato, a unica coisa capaz de explicar a fé que dominava os corações e mentes daqueles novos convertido é a Ressurreição.
Porque eles viram Cristo Ressuscitado estavam dispostos a largarem tudo para segui-lo. Porque eles viram Cristo Ressuscitado tinham disposição para peregrinarem pelo mundo anunciando-o. Porque eles viram Cristo Ressuscitado não temiam as perseguições, quer vindas dos judeus quer do Império Romano, ainda que estes os jogassem aos leões.
O mundo admirava-se que aqueles pobres homens dessem a própria vida por um líder morto, mas eles não podiam agir diferente, porque O viram voltar dos mortos. Vamos analisar mais de perto o que a tradição anglicana tem a nos dizer sobre este fato da fé.
"Verdadeiramente". A primeira coisa que os 39 Artigos nos dizem sobre a Ressurreição do Cristo é que a mesma se deu "verdadeiramente". Não é um fábula, um mito, uma utopia, ou uma forma figurada dos cristãos primitivos expressarem sua fé na mensagem do Cristo. De fato, Cristo Ressuscitou dos mortos.
"Tomou de novo seu corpo". Para não deixar qualquer resquício de dúvida, ou mesmo de debate, os reformadores ingleses esclarecem - além do óbvio, eu diria - o que esse "verdadeiramente" quer dizer. Quer dizer que Cristo voltou em seu corpo, com "carne, ossos e tudo o mais".
"Com o que subiu aos céus, e lá está assentado". Já se perguntou como será encontrar Cristo na Eternidade? Não estaremos falando com uma "luz", um "espirito", ou alguém com aparência de anjo. Nada disso. Estaremos falando com um homem, "de carne e osso", de nacionalidade israelense, e com todos os traços genéticos dos judeus. Evidentemente, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, mas aqui estamos justamente enfatizando Sua Humanidade.
Nós, com toda a Igreja, confessamos que Cristo ressuscitou dos mortos!
Tais palavras contam com a certeza das Escrituras, como o leitor pode por si mesmo verificar. Em geral as pessoas não esperam encontrar um conhecido sabidamente morto, não é mesmo? O mesmo acontecia com os discípulos! Por isso, quando Cristo ressurgiu dos mortos, a primeira reação deles foi de medo, a ponto de O confundirem com um "fantasma". S. Lucas nos conta como foi:
"E falando eles estas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito" (S. Lucas 24. 36,37).Jesus, pacientemente, apresenta-lhes as provas de continuar sendo humano:
"E Ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" (vv. 38-39).O apóstolo S. Paulo, como já mencionamos, também irá trabalhar em detalhes alguns aspectos da Ressurreição de Nosso Senhor, e argumentar que, sem este fato histórico, a fé cristão não passaria de uma mera superstição, sem qualquer valor real ou eterno. Se Cristo não ressuscitou, verdadeiramente, dos mortos, estão o Cristianismo é uma farsa, uma completa inutilidade filosófica ou mística.
"Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos Doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos apareceu também a mim..." (I Coríntios 15. 3-8).Podemos observar, neste trecho de sua carta, que Paulo desafia os duvidosos a investigarem o acontecimento da Ressurreição. Ele dá os nomes, e até a quantidade de pessoas que viram o Ressuscitado, enfatizando que a maioria deles ainda estava vida, podendo ser postas a prova e inquiridas.
E, verdadeira, foram colocadas a prova. Sua fé no Cristo Vivo foi testada nas mais terríveis perseguições, ora sob a fúria de judeus, ora sob a fúria de romanos. E jamais foram vencidos, suportaram todas as afrontas e dores por um único motivo: viram Jesus morrer, e voltar dos mortos. Como poderiam negá-Lo?
Como Paulo podemos concluir igualmente que "se Cristo não ressuscitou, logo é inútil a nossa pregação, e também inútil é a nossa fé" (v. 14).
Sabemos, contudo, como ensinam as Escrituras, e como anglicanos confessamos nos 39 Artigos da Religião, que não apenas Ressuscitou dos mortos, mas está Cristo entronizado nos céus, de onde virá, como também afirma o Credo dos Apóstolos, a julgar os vivos e os mortos, trazendo consigo a recompensa de seus eleitos.

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